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sábado, 10 de marzo de 2012

DÓRDIO GUIMARÃES...Foi um Poeta Portugues...


Dórdio Leal Guimarães (Porto, 10 de Março de 1938 - 2 de Julho de 1997), foi um poeta, cineasta, ficcionista e jornalista português, fez documentários sobre escritores portugueses e realizou programas culturais de televisão.
Viveu grande parte da sua vida sob a sombra da sua musa inspiradora, Natália Correia. Infelizmente, a sombra era grande, pois que o talento de Natália foi sempre imenso e multifacetado, e isso não lhe permitiu afirmar-se plenamente como autor de mérito.
Dono de uma obra que abarca mais de quinze títulos, Dórdio Guimarães foi também realizador de cinema - à imagem de seu pai, Manuel Guimarães, autor de filmes como Saltimbancos (1951) e O Crime de Aldeia Velha (1964) - e, em 1969, colaborador a nível de textos do projecto musical Fluido, liderado pelo cantor Paulo de Carvalho.
Foi no seio deste grupo que viu dois poemas de sua autoria serem musicados e revestidos de arranjos instrumentais ousados para a época e para o Portugal de então.
A estética psicadélica dominava estas composições e a beleza singela das palavras de Dórdio projectava-se na eternidade - pena que, hoje em dia, tanto o livro como o disco A Idade dos Lilases se encontrem esgotados, impossibilitando assim que novos públicos se abeirem de duas obras-chave de um tempo que é também o nosso.
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O dom da vida se imodera e precipita
com a ânsia tanta de se rever ao espelho
que denuncia o velho que me vou tornando.
Ocupo ainda o espaço que me foi dado,
.
descoheço os que vão chegando e já não
vejo os que ao meu lado me abandonaram.
Sou um estranho num mundo desordenado,
uma ave atrasada de seu bando, mas vivo
.
sem préstimo e sem comando, sem o fado
de súbito interrompido, menor ou corrido.
Ido passado que me agasta e resta, ida
aresta que me ilumina, lâmina e níquel.
.
Venho daquele tropel que me poupou a hora
da queda, trago a seda esvoaçante e nunca
rasgada em parte alguma, intacta figura
solitária. A lendária altura não me chamou,
o amor me doou.