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sábado, 25 de febrero de 2012

BPN...Quando é que esta BOSTA acaba????????...


A historia do BPN deve ser averiguadaO BPN parece ser, antes da nacionalização, um caso claro de polícia.
Após a nacionalização pelo Governo Sócrates , não permitindo que a gestão de Cadilhe
assegurasse a viabilização do banco, o BPN transformou-se num buraco onde o
Estado (e a CGD )já terão enterrado cerca de 5 mil milhões de euros.
Vendido ao desbarato aos angolanos, por imposição do acordo com a troika, o dinheiro dos
portugueses continua a evaporar-se.
Ontem soube que o Estado tem de emprestar mais 300 milhões para vender o BPN - Economia - PUBLICO.PTeconomia.publico.pt
O contrato negociado entre a secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque, e Luís Mira Amaral, presidente do BIC Portugal, prevê que, para além da injecção de capital no BPN de 600 milhões de euros já realizada, os apoios de tesouraria possam chegar aos 700 milhões.
O BPN é um escândalo inaceitável, um buraco negro na história da
democracia.
Exige-se que o Ministério Publico e a PJ, o Banco de Portugal e a
Assembleia da Republica, investiguem este sorvedouro do dinheiro dos nossos
impostos.
O Presidente da Republica, que terá sido pessoalmente beneficiado
por investimentos feitos no BPN deve ser o primeiro a exigir um completo
esclarecimento da situação.A culpa não pode morrer solteira.
O Governo e o PSD não podem abafar uma completa averiguação. O PSD terá, nesta sexta,
inviabilizado a criação de uma comissão de inquérito ao BPN na AR. Duas
entidades, que represento, não conseguiram até á presente data reaver dinheiro
depositado no BPN e sentem-se burladas por um bando de criminosos protegidos
pela justiça em Portugal.
Não tolero que esta democracia conviva com este buraco, sem julgar culpados, nas três fases da história: antes da nacionalização, após a nacionalização e depois da venda aos angolanos.

Jaime Ramos publicó en el grupo "Movimento Republicano 5 de Outubro."

domingo, 21 de junio de 2009

O silêncio dos culpados...

O estridente protesto de Paulo Rangel por causa da roubalheira no BPN foi idêntico aos sonoros ultrajes de Sócrates por causa do Freeport.
Além de serem questões criminais, o Freeport e o BPN são temas políticos. Exigem dos políticos participação na denúncia e na condenação. Porque foram abusos de valores públicos. Porque interpelam violações da ética republicana. Por isso não toleram os pactos de silêncio. A abordagem pública descomplexada e livre tem que ser feita em debate político nos locais onde a política se debate.
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No Freeport e no BPN há áreas que nada têm a ver com segredos de justiça e onde a Presunção de Inocência não pode ser usada como uma espécie de asilo onde os poderosos se resguardam do escrutínio público. É impossível aceitar a relutância que todos os partidos têm manifestado em abordar os dois grandes casos de corrupção que envolvem as que (ainda) são as maiores forças políticas do País. Das vezes que o caso Freeport surgiu no Parlamento, logo Sócrates vociferou ultrajado que era insultuoso abordar a questão e, um a um, os partidos da oposição recolheram-se em embaraçados silêncios pelo atrevimento de terem abordado tão incómodo tema para o Primeiro Ministro. Na campanha das Europeias o estridente protesto de Paulo Rangel por causa da "roubalheira" no BPN foi idêntico aos sonoros ultrajes de Sócrates no Freeport, denotando que o bloco central continua a viver de pactos informais onde, por ética perversa, a regra é não falar dos crimes uns dos outros.
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Por força da maioria socialista, o Freeport não vai ter, nesta legislatura, direito sequer a uma comissão de inquérito sobre, por exemplo, boas práticas dos governos de gestão em despachos de última hora. Não que uma comissão de inquérito seja substituto adequado ao contraditório vigoroso e plural que só o Plenário permite. É uma espécie de do-mal-o-menos. Quando muito, poderá ter uma função complementar no apuramento de factos se o problema já estiver suficientemente denunciado em termos políticos, o que não é o caso nem do Freeport nem do BPN.
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Aqui a Presunção de Inocência que os prevaricadores reclamam tem funcionado não como garantia de direitos, mas como abuso de privilégios, resguardando transgressores e dando-lhes tempo para continuar em actividade enquanto prejudicam o apuramento de verdades frequentemente indemonstráveis, como o atestam os inúmeros arquivamentos insólitos e os prazos convenientemente prescritos.
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É devido à ausência de debate franco, duro e leal sobre estes casos políticos que aos media foi deixado o trabalho "sujo" de esgravatar pormenores, tentando compor uma imagem do que se passa, milhão a milhão, num mundo de falsidades e aparências onde é normal comprar casas a offshores e ter rendimentos com juros nas centenas que nem a Dona Branca prometia.
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Nesta busca, os media têm operado num ambiente tóxico de ameaças de processos e condenações da Entidade Reguladora da Comunicação Social e do Sindicato dos Jornalistas, que já chegaram ao pormenor sinistro de produzir análise crítica da semiótica da gestualidade dos jornalistas que dão as notícias mais incómodas. Enquanto isto, o mundo da política obscura sobrevive em convenientes silêncios criando inocências a prazo em que se perpetuam práticas de ilicitude.
Ficam intactas as "roubalheiras" que, eu confio, sejam bem debatidas, sem medos, nas próximas eleições e em próximos parlamentos.
Mário Crespo
in JN

jueves, 4 de junio de 2009

O pântano BPN...

Dias Loureiro saiu, enfim, do Conselho de Estado. Foi empurrado por Oliveira Costa e pelo cada vez mais insuportável embaraço presidencial, bem reflectido nos comentários dos conselheiros Jorge Sampaio e João Lobo Antunes apontando-lhe a porta de saída.
O depoimento de Oliveira Costa é a vingança pública de um homem ferido e despeitado.
Mas ninguém fica imune a um retrato de carácter tão arrasador como o que foi feito de Dias Loureiro. E embora este garanta que nada fez de ilegal, já nem é apenas isso que está em causa: o caso BPN tornou-se um pântano demasiado fétido para não macular quem quer que nele tenha ocupado altos cargos de responsabilidade.
Fernando Madrinha
in Expresso

lunes, 1 de junio de 2009

Os culpados do caso BPN...

O caso BPN não aconteceu após as revelações de Oliveira e Costa no Parlamento. O caso BPN não aconteceu após João Lobo Antunes, conselheiro de Estado e ex-mandatário da candidatura de Cavaco Silva, ter "aconselhado" Dias Loureiro a abandonar o cargo de consultor do presidente da República, invocando o "dever patriótico".
Mas o caso BPN, para Dias Loureiro, só parece ter acontecido após esta dupla sucessão de acontecimentos. Por mais que o ex-ministro do PSD alegue que a sua saída do Conselho de Estado andava a ocupar-lhe os pensamentos há duas semanas, custa acreditar que não o tenha feito por causa dos mais recentes episódios e por "sugestão" não declarada do presidente da República. Sobretudo, porque aquele sai-não-sai ameaçava empurrar para terrenos movediços a credibilidade de Cavaco Silva.
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Dias Loureiro não pode invocar, como fez, que decidiu o que decidiu (terá mesmo decidido?) por haver quem achasse que estava a escudar-se na imunidade do cargo para evitar uma qualquer convocatória judicial. Dias Loureiro não pode querer que o país acredite que teve, ao fim de este tempo todo, um rebate de consciência. E dizer deste tempo todo é dizer, como ele próprio sublinhou, "sete meses a ouvir tipos e notícias nos jornais". Dias Loureiro não é culpado de nada. Não foi constituído arguido nem considerado suspeito. Mas não o é hoje como não o era há sete meses. Por isso, é fácil concluir que saiu contrariado.
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Mas Dias Loureiro é apenas uma das pontas deste novelo. E não é pelo facto de Oliveira e Costa, na sua qualidade de presidiário, convém não esquecer, ter ido ao Parlamento verbalizar todos os ressentimentos que andou a acumular ao longo de meio ano nos calabouços da Polícia Judiciária que faz de um o bonzinho e do outro um impostor.
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O caso BPN é o resultado de uma gestão fraudulenta, mas de uma gestão fraudulenta colectiva. Não é produto de um homem só.
De resto, não podia esperar-se que Oliveira e Costa tivesse dito aos deputados algo de muito diferente do que foi transmitido. Porque o ex-homem forte do BPN foi ao fundo, mas deixou bem claro que não quer lá ficar sozinho. Político e judicial, sem dúvida, o caso BPN é, também e muito, a história sul-americana de uns ex-comparsas agora desavindos que sabem muitos segredos uns dos outros.
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Não devemos, porém, distrair-nos do essencial: o dinheiro, onde pára o dinheiro? Sim, porque se estima que o Estado já tenha injectado, naquele banco mal gerido, qualquer coisa como 1,4 mil milhões de euros. Uma quantia descomunal que nem dá para mensurar. Para ajudar à festa, ontem, os responsáveis da Sociedade Lusa de Negócios vieram reclamar uma indemnização de 400 milhões de euros pela nacionalização do banco. Que o Governo não quer dar.
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Por isso, apurem-se as responsabilidades, esclareçam-se as manigâncias contabilísticas e as danças das off-shore, mas não se transforme este caso numa teia tão enredada de factos e sound bites que, no final, a sua génese fique ligada a um mau acompanhamento da supervisão bancária, ao efeito nocivo e sistémico do colapso dos mercados ou ao anticiclone dos Açores.
O caso BPN tem culpados.
E não são certamente os contribuintes portugueses.
Pedro Ivo Carvalho
in JN

sábado, 30 de mayo de 2009

O país enlouqueceu...

O caso BPN demonstra bem a degradação geral do regime. Bastou ver e ouvir a comissão de inquérito: se aquilo não foi uma reunião de amigos, à volta de umas cervejas, o que foi aquilo?
Os deputados riram com as piadas de Oliveira e Costa; Oliveira e Costa, apontado como o principal responsável por um buraco que já custou dois mil milhões aos portugueses, disparou sobre todos, excepto sobre as suas próprias culpas no cartório; os deputados acharam por bem não questioná-las.
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Mas o melhor veio a seguir: Dias Loureiro, que não tinha motivos para a demissão, subitamente encontrou-os; os partidos aplaudiram o gesto, incluindo o PS, que manifestamente esqueceu o caso Lopes da Mota; e, para finalizar, o Ministério Público já avisou que ouvir Dias Loureiro, agora disponível, não é uma prioridade.
Só uma pergunta: é do calor ou o país enlouqueceu?
João Pereira Coutinho
in CM

jueves, 28 de mayo de 2009

Há dias sim, há dias não...

Sinceramente não se percebe o que foi fazer Manuel Dias Loureiro à SIC, no dia em que anunciou a sua demissão do Conselho de Estado. O ar descontraído e bem-disposto que revelou à chegada a Carnaxide era, afinal, apenas isso: ar.
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Porque quando Rodrigo Guedes de Carvalho começou a entrevista, confrontando-o com o “assassinato de carácter” que Oliveira e Costa lhe tinha feito na véspera no Parlamento, Dias Loureiro avisou logo, com ar crispado, que não ia comentar as declarações do seu ex-patrão no BPN e na SLN.
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Ora, afinal, o que disse o ex-conselheiro de Estado aos portugueses no intervalo da final da Liga dos Campeões? Nada. Pior ainda. Os argumentos que o levaram a recusar a demissão nos últimos sete meses são exactamente os mesmos que usou ontem à noite para justificar a sua demissão. É mau demais para ser verdade.
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E depois ainda teve tempo para se mostrar muito chocado com a manchete do CM em que se noticiava o facto de estar sob investigação do Ministério Público. Esfarrapado argumento para um homem que nestes sete meses ouviu muitos conselheiros de Estado e dirigentes do seu próprio partido pedirem a sua demissão para evitar embaraços ao Presidente da República.
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Rodrigo Guedes de Carvalho, afinal, até teve razão quando disse que Dias Loureiro se tinha demitido do Conselho de Estádio.
Porque o que se passou ontem é mais digno da bola do que da política.
António Ribeiro Ferreira
in CM

Dias Loureiro...A ascensão e a queda de um político...

Em 1981, Dias Loureiro ganhava menos de cinquenta contos por mês como governador civil de Coimbra; vinte anos depois, declarou, em sede de IRS, mais do que Belmiro de Azevedo.
Frequentemente apontado como um dos homens mais poderosos e ricos do país, a sua ascensão sempre foi alvo de "mau olhado". Em diversas entrevistas repetiu que o segredo do seu sucesso foi nunca "ter como objectivo enriquecer".
É como na política, argumentou diversas vezes: "Quem só está preocupado em ganhar votos, perde. Ganhar dinheiro, como ganhar votos, tem de ser consequência de coisas que se fazem bem feitas". O seu lema de vida, foi-lhe transmitido pelo seu tio-avô padre: "Faz bem o que fizeres".
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Manuel Joaquim Dias Loureiro nasceu em Aguiar da Beira a 18 Dezembro de 1951. É filho de dois comerciantes e tem sete irmãos. Nos tempos de faculdade, há quem se recorde que ao contrário da maioria dos colegas ia a casa, aos fins-de-semana, de camioneta e usava samarras muito coçadas. Entrou no PSD pela mão de Carlos Encarnação e Ângelo Correia mas foi com Cavaco Silva que a sua influência cresceu de forma avassaladora no partido.
Amigo pessoal do presidente da República, acompanhou-o desde o primeiro dia da sua presidência do PSD até à confirmação dos resultados nas presidenciais.
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Na sua autobiografia, Cavaco revelou não o ter convidado para o seu primeiro Governo, em 1985, "pela simples razão de não poder prescindir dele no partido". No segundo mandato, no entanto, Dias Loureiro foi ministro dos Assuntos Parlamentares, entre 1987 e 1991; e na segunda maioria PSD, ministro da Administração Interna até 1995.
"Quando saí da política não tinha dinheiro nenhum", repetiu em entrevistas. O ex-ministro assumiu sempre, no entanto, que foram as amizades feitas nesses anos que o ajudaram depois de 1995 a construir a sua fortuna.
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Em 1991 deixou o apartamento no bairro de Benfica, em Lisboa, e foi viver para uma vivenda no Estoril - uma das zonas mais caras do país. O semanário Expresso questionou, na altura, como um salário de ministro poderia suportar a mudança. Dias Loureiro justificou-se com uma herança e respondeu: "Quem não tem a consciência tranquila em relação ao dinheiro pode tentar escondê-lo. Quem tem a consciência tranquila pode fazer o que entender".
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Quando saiu do Governo, aceitou o desafio de José Roquette pata integrar a Pleîade. A fortuna começa nessa altura a crescer. Em 2000, Roquette manifesta-se cansado e decide vender o grupo. É José Oliveira e Costa que compra por 11 milhões de contos. Dias Loureiro recebe, então, mais de um milhão de euros e investe em acções da SLN e torna-se administrador executivo do grupo detentor do BPN.
in JN

miércoles, 27 de mayo de 2009

O fim de Dias Loureiro

Traição, vingança, conspiração. A maior novela portuguesa contemporânea é o caso BPN. Já se sabia, mas ontem, com a audição de Oliveira e Costa no Parlamento, ficámos com a mais terrível das certezas: esta é a maior e também a mais indecorosa novela portuguesa dos tempos modernos, com manifesto reflexo na credibilidade dos políticos, dos partidos, dos banqueiros e das instituições.
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Os despojos finais do cavaquismo foram ontem penosamente exibidos por Oliveira e Costa no Parlamento. O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais deixou claro que não tenciona ser o único culpado do caso BPN. Nem em termos judiciais, nem políticos.
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Ficou claro, se ainda havia dúvidas, que a carreira pública e política de Dias Loureiro acabou e que não é minimamente sustentável a sua continuidade no Conselho de Estado. Cada dia que passar com o antigo ministro neste órgão serão machadadas na já pouca credibilidade das instituições.
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Ficou também muito claro o desafio para a Justiça. Perante o extraordinário trabalho da comissão parlamentar – um verdadeiro oásis nos tempos que correm –, o Ministério Público está obrigado a abrir o caminho de saída do actual pântano.
Doa a quem doer.
É um caminho de sentido único, pois a alternativa é o descalabro total do País...
Eduardo Dâmaso
in CM

Oliveira e Costa acusa Dias Loureiro de mentir...

BPN
Durou oito horas a audição de Oliveira e Costa perante a comissão parlamentar de inquérito ao ‘caso BPN’. O ex-presidente do BPN apontou o dedo ao empresário Joaquim Coimbra e disse que a entrada de Cadilhe saiu cara ao banco.
Sobre Dias Loureiro, acusou-o de ter mentido: «A verdade está com António Marta»

martes, 26 de mayo de 2009

Oliveira e os conselheiros...

Finalmente Oliveira e Costa, o primeiro banqueiro português preso durante o regime democrático, vai falar.
O homem que até agora tem sido sacrificado pelos seus antigos pares e colaboradores como o único responsável pelo descalabro do Banco Português de Negócios, que custará aos contribuintes portugueses pelo menos dois mil milhões de euros, vai hoje ao Parlamento defender a sua honra e talvez atacar os seus antigos leais conselheiros, que ganharam comissões em fabulosos negócios de offshores, e que agora, como o próprio disse, parecem "cegos surdos e mudos".
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Provavelmente o homem que ficará na História como o principal arquitecto de um grupo empresarial de negócios extravagantes não contará hoje tudo. Nem é de estranhar que o arguto ‘Zeca Diabo’, nome com que ficou conhecido há duas décadas quando passou pela liderança da máquina fiscal, mande mensagens cifradas.
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Oliveira e Costa está preso e doente, mas sabe muito. Os seus papéis e o seu testemunho podem comprometer muita gente importante que ganhou dinheiro com as aventuras burlescas da SLN e BPN.
Enquanto o detido Oliveira e Costa estiver a falar no Parlamento, muita gente poderosa precisará de calmantes para gerir a ansiedade provocada pelas declarações do banqueiro caído em desgraça.
Armando Esteves Pereira
in CM

jueves, 14 de mayo de 2009

Gestão para Totós...

Há uma evidente impunidade nos casos BPN e BPP. Por muito menos muita boa gente foi presa. Aliás Pedro Caldeira é um santo para a História.As declarações hoje de Sócrates na AR, são por si a evidência de que se não houvesse grande marosca na gestão do BPP ele, primeiro-ministro, nunca poderia ter ido tão longe nas suas declarações.
Há gestão danosa e abuso de confiança, no mínimo, e quando Carlos Tavares disse o que disse, não o seria levianamente pois não é esse o seu comportamento como homem de bem.
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Portanto: há milhões de euros desaparecidos e gente desesperada que tinha no banco as poupanças e ganhos de uma vida e hoje está desesperada.Não é inédito tudo isto na banca portuguesa.
A falência da Caixa Faialense aqui há uns anos, e que envolvia gente ligada ao PPD, foi também uma tragédia para muitos clientes que lá tinham as poupanças e tudo perderam. Os responsáveis nunca ficaram atrás das grades e até continuaram a ter uma vida regrada.
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Este problema não tira só - e já é demasiado- a confiança no sistema bancário, estes aventureirismos de uns chicos- espertos exemplares, são pagos pelos nossos impostos, por nós todos.
Esta realidade difícil de gerir por qualquer governo, só se combate com uma apertada malha na supervisão bancária, e por o Poder tratar a banca não com o medo e a subserviência habitual, mas com regras bem apertadas. Rigor. Uma ASAE para a banca.
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Num país onde há em cada rotunda uma operação stop da polícia para chatear o pacato cidadão que não traz o selo afixado ou cuja morada da carta não dá com a do livrete do carro, numa caça à multa digna da polícia de Maputo, neste país de polícias armados em maus e em burocratas multadores, deveria haver um controle eficaz com aqueles que conseguem eclipsar dinheiro mais depressa do que um qualquer vigarista mágico.
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Agora já percebemos: vamos pagar todos o calote. Talvez tenhamos como bónus essa obra superior de gestão, que as universidades dos mestres neo-liberais devem adoptar:" Uma gestão exemplar". Gosto imenso de citar isto.
É, para mim, o retrato da lata suprema num país de totós.
in Blog Instante Fatal

lunes, 11 de mayo de 2009

A mentira de Dias Loureiro...

O Expresso colocou em 'manchete' há três meses que Dias Loureiro tinha mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito. Agora, veio ele dizer que não mentiu, apenas se esqueceu. Acreditaremos?
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Conheço Dias Loureiro, acho-o um homem muito simpático e encantador. Quero crer que o que fez terá sido sem consciência de estar a prejudicar alguém. Mas estas considerações pessoais não vêm propriamente ao caso.
O que vem ao caso é o facto de Dias Loureiro ter afirmado que nunca mentiu à Comissão Parlamentar de Inquérito.
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Como se sabe, afirmámos que ele mentiu numa manchete do Expresso, no dia 14 de Fevereiro. Não o fizemos de ânimo leve; discutimos demoradamente se teríamos provas suficientes para o escrever e acabámos por optar por esse título, uma vez que as provas eram concludentes.
Na primeira audição, Dias Loureiro disse que nunca tinha ouvido falar de um Fundo (o Excellence Assets Fund) de que há documentos por ele assinados e referiu que tinha participado remotamente num negócio de que afinal foi figura central. Não se tratou de um lapso de memória. Foi uma negação absoluta.
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Loureiro começou por contar que teve apenas uma participação muito ténue num negócio ruinoso em Porto Rico: "Quanto ao negócio em si não tive nada a ver com ele" - disse. Mas esta semana, três meses depois de o Expresso ter feito referência aos documentos que o envolvem, o conselheiro de Estado reformulou totalmente a sua participação. Desta vez, confirmou o que já era óbvio e estava provado: que teve intervenção no início do negócio e que participou no seu desfecho. Quanto ao resto, diz agora que assinou de cruz.
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Por isso, quando Dias Loureiro se afirma indignado com as acusações de ter mentido, devia ter um pouco mais de humildade.
Na verdade, ele mentiu.
Nos dicionários, mentir é ser falso, é enganar, faltar à verdade, e isso Dias Loureiro fê-lo - sem qualquer dúvida, confirmado pelo próprio.
Pode argumentar que o fez inadvertidamente, sem consciência, por mero esquecimento. Mas - e Deus me perdoe se estou errado - mesmo disso eu duvido.
A menos que Loureiro tenha ido da primeira vez à Comissão como quem vai para uma esplanada beber café, sem se ter preparado, o que seria deveras surpreendente. Sem ter feito, nos dias anteriores, um esforço para se recordar dos factos.
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A menos, também, que se acredite que ele assina de cruz papéis que valem cerca de 70 milhões de dólares. Por amor de Deus! Mas alguém crê que um homem com a sua preparação chega a este cúmulo de irresponsabilidade? Eu não!
Lamento profundamente escrever estas linhas. Não me agrada acusar ninguém. E até gosto de Dias Loureiro, mas gosto muito mais da verdade!
Henrique Monteiro
in Expresso

jueves, 7 de mayo de 2009

Conselheiro Dias Loureiro...

Em tempos que já lá vão, nem por isso muito longínquos, era um homem firme e determinado. Como ministro da Administração Interna, dava do Estado a imagem de autoridade que o então primeiro-ministro tanto prezava - à bastonada, se necessário, quando as manifestações ultrapassavam as (suas) marcas. Como secretário-geral do PSD, assegurava a disciplina reclamada pelo exercício do poder. Era temido, até pela influência que se pressentia ter sobre quem efectivamente mandava, Cavaco Silva.
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A certa altura, largou a política - em bom rigor, foi a política que o largou a ele, em 1995, quando o país trocou o cavaquismo de murro na mesa pelo guterrismo com aura de dialogante. Meteu-se no mundo dos negócios, alimentou a fama de gestor de sucesso, enriqueceu. Teria saído das parangonas dos jornais não fosse a crise económica precipitar o levantamento de uma parte do véu do BPN, instrumento financeiro da Sociedade Lusa de Negócios, por onde passara como administrador.
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Aí, redescobriu-se um Dias Loureiro bem diferente. Com lapsos de memória, pouca sensibilidade para as minudências da lei, falta de disponibilidade ou de paciência para apurar se dela foi feito gato sapato nesse universo empresarial. Nem a "contabilidade criativa" que permitiu dispersar pelas contas de diversas empresas os prejuízos dos negócios em Porto Rico lhe causou a mínima estranheza. Andava ali por ver andar os outros...
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"Pequeno detalhe": o homem que esta semana, a seu pedido, voltou ao Parlamento para ser ouvido no inquérito ao "caso BPN" é conselheiro de Estado. As explicações que deu sobre alegadas contradições não parecem ter convencido ninguém. Pelo contrário: provocaram a multiplicação de vozes que põem em causa a sua presença no órgão de aconselhamento do presidente da República. Mas Dias Loureiro, que não pode ser afastado nem por quem o nomeou, não arreda pé. Só aí se conserva a firmeza de outrora.
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A questão é política, exclusivamente política. Não se trata de, perante o caso, se vestir a pele de "julgador" que há meses Manuela Ferreira Leite recusou, senão na estrita dimensão política que o caso suscita. Na dimensão da respeitabilidade e credibilidade que um órgão como o Conselho de Estado deve preservar. Na dimensão do constrangimento em que Dias Loureiro coloca Cavaco Silva, como nota Paulo Rangel ou como antes notara Morais Sarmento.
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Com cada vez mais gente, no interior do seu próprio partido, a exigir que renuncie à condição de conselheiro, fragiliza-se ainda mais a posição do antigo ministro. Que deveria ser o primeiro interessado em desfazer a ideia de que se mantém no Conselho de Estado porque, graças à imunidade que proporciona, é um "escudo protector".
Paulo Martins
in JN