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domingo, 17 de mayo de 2009

Karl Marx tinha razão e os partidos sabem-no!...

Os partidos duplicaram o montante máximo que irão poder receber dos privados. Devem conhecer bem "O Poder do Dinheiro" de Karl Marx
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Não são bons sentimentos o que vos trago. Pelo contrário. Estou até um pouco irritado e indisposto. Estou até cheio de maus fígados porque vejo que me enganaram, melhor, que nos enganaram. Comecemos pelo princípio.
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Calhou-me há tempos ler um texto de Karl Marx, chamado "O Poder do Dinheiro". Sempre que leio Marx apercebo-me de que o barbudo acertou em imensa coisa, mesmo que tivesse falhado depois no essencial. Esse texto sobre a força do vil metal foi escrito em 1844. E é a melhor prosa que alguma vez li sobre o assunto.
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O que nos diz Marx é sucintamente o seguinte: o dinheiro define não só a minha individualidade para mim próprio, como a minha individualidade para os outros. Ser é poder? Para Laurinda Alves, talvez.
Ser é, acima de tudo, ter (corrigindo Marx, o melhor seria dizer: também é ter). Se eu for feio, burro ou tímido, o simples facto de ter dinheiro torna-me capaz de atrair mulheres bonitas, de parecer in- teligente, de me apresentar confiante e próspero aos olhos dos outros. O dinheiro transforma as insuficiências do seu portador em virtudes que ele não possui naturalmente. Por isso, acrescenta Marx, o dinheiro distorce as qualidades como elas na realidade são. Onde pensávamos que existia estupidez, infidelidade, mau gosto e fealdade, passamos a ver mérito, fidelidade, bom gosto e perfeição.
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Suspeito que os nossos partidos devem conhecer esta peça marxista de trás para a frente. Porque, se não for assim, não irei perceber o que os fez aprovar há dias uma nova lei de financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais. Num ano, note-se, de eleições e crise económica, assaltou-lhes a urgência súbita de mudar as regras do financiamento privado para que o dinheiro passe a jorrar com mais força e destreza dentro dos cofres das direcções. Querem mais dinheiro os partidos? Pois claro. E não tiveram meias-medidas.
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Estamos a falar da duplicação do montante máximo que os partidos irão poder receber dos privados como contribuições dos militantes e an-gariação de fundos. Tudo sob a desculpa de que a Festa do Avante rende ao PCP dinheiro que a lei não permite contabilizar.
Mas o que podia ter sido uma excepção só para situações limitadas, converteu-se numa regra geral para todos.
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Anteontem, em resposta aos críticos que logo começaram a falar em malões e Capelos Regos, o deputado do PS Ricardo Rodrigues quis ser pedagógico: não haverá dinheiro que não fique sujeito às regras de transparência e ao controlo dos tribunais. Mas o que conta é o resultado final: o dinheiro vem aí, há-de vir. Fora alguns beneméritos, estão todos de acordo. Este também é o bloco central.
Pedro Lombas
in i

jueves, 14 de mayo de 2009

Os partidos estão a brincar connosco...

As contas dos partidos são campo fértil para todo o tipo de demagogia barata. Mas a nova lei do financiamento partidário e as contas das Europeias só podem ser uma brincadeira de mau gosto. Afinal, os partidos estão ricos. Com o nosso dinheiro.É só fazer as contas, como diria o saudoso engenheiro Guterres.
Na campanha das Europeias, esse acontecimento que deixa metade do país na praia e a outra metade na indiferença, os partidos vão esmerar-se no descaramento. Vão gastar mais do dobro do que em 2004.
O cenário é assustador e muito claroO Bloco de Esquerda vai gastar mais 301% (sim, leu bem, trezentos e um por cento) para arranjar companhia a Miguel Portas em Bruxelas.
Não sei porquê, mas quando vejo estes números lembro-me dos adjectivos superlativos que os dirigentes do Bloco reservam à ganância do grande patronato.O frugal PCP vai gastar mais 185% para eleger a eterna Ilda Figueiredo e uma lista cheia de professores da Fenprof.O PSD, que tem uma líder que faz metáforas com Ferraris e que passa o dia a chamar a atenção para o dinheiro que não temos, vai gastar mais 95%. Não sei se o Paulo Rangel contratou os Megadeth para animar os comícios, talvez seja isso...O CDS chamou a atenção para este escândalo e é o mais poupadinho. Mas não resiste a subir 27% nos gastos. O PS, que costuma ser o rei deste pandemónio, aguentou nos 9% e passa a segundo no despesismo, graças ao devaneio momentâneo do PSD.
O mais bizarro é que tudo isto acontece quando o Presidente da República apelou à contenção de gastos na campanha. Os partidos pura e simplesmente ignoraram Cavaco. E, neste caso, ignorar Cavaco é ignorar o país inteiro. É brincar connosco.
Além de decidirem gastar muito mais numa altura em que todos gastamos muito menos, ainda aprovaram (por unanimidade, claro) a nova lei de financiamento partidário. Uma lei que volta a abrir as portas ao dinheiro vivo, o paraíso da corrupção, que tem artigos mal feitos, e que pura e simplesmente permite aos partidos passarem pela crise sem darem por ela.
Os partidos choram o fecho de fábricas e a falência de bancos, vivem da crise e para a crise. Mas deixam-na para nós. Eles, coitados, não conseguem viver sem o Quim Barreiros num comício, cartazes foleiros à beira das estradas e coisas 'à Obama'.
Nós vivemos pior, com menos dinheiro mas com a conta do banco escancarada, com orçamentos reduzidos mas com impostos galopantes, com leis feitas à pressa mas com multas pesadas, com liberdade mas com chips nas matrículas.
No meio disto o Parlamento discute a vida dos animais no circo. Compreendo: se me aumentarem o orçamento do Expresso em 301%, também me vou preocupar com assuntos patetas.
Ricardo Costa
in Expresso

domingo, 10 de mayo de 2009

Contra a Lei do Financiamento dos Partidos...

Contra a "Lei dos Financiamento dos Partidos" e as aberturas que faz à entrada de dinheiro sujo nos Partidos Políticos, proveniente da corrupção e do tráfico de interesses, reenvie a todos os seus contactos esta mensagem, pedindo-lhes que acedam a:
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http://www.presidencia.pt/?action=3
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e que façam Paste desta mensagem:
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"Senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva,
Na minha qualidade de cidadão eleitor da República Portuguesa, venho requer-lhe que não promulgue a revisão à Lei do Financiamento dos Partidos e das Campanhas Eleitorais" que tem agora em análise e cuja promulgação irá na opinião de muitos respeitados cidadãos, e de mim próprio, abrir as portas a uma degradação ainda maior da política em Portugal e potenciar a multiplicação de fenómenos de corrupção como aqueles que são infelizmente comuns no nosso País.
Grato pela atenção."
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Ou que redijam outra mensagem que acharem mais adequada.Fazendo depois, naturalmente, o mesmo...
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Exerça a sua cidadania!
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Não deixe que governem por si!
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De igual, forma, assine também a:
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petição em prol de uma verdadeira democracia representativa
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http://www.gopetition.com/online/26885.html
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De forma a que os partidocratas que de uma forma raramente unânime cozinharam esta muito suspeitosa Lei sejam varridos da cena política e se faça em Portugal uma verdadeira revolução do sistema político decrépito e ineficiente que nos tem des-governado.
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--MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

viernes, 8 de mayo de 2009

A pancada em Vital Moreira à luz da Sagrada Escritura...

O calendário dizia 1.º de Maio, mas eu estou certo de que era Sexta-Feira Santa. Vi um senhor cabeludo, com um ar simultaneamente delicado e sofrido, a caminhar por entre uma multidão em fúria que o agredia aos gritos de "traidor, traidor".
Desfile do Dia dos Trabalhadores?
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Nada disso: nova versão da via-sacra, com Vital Moreira a caminho do Gólgota. Infelizmente, a multidão estava a levar tão a sério o seu papel que o ungido do PS às europeias resolveu pisgar-se antes de chegar à parte da cruz. Quem naquela situação tivesse agido de outra forma que atire a primeira pedra.
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Numa triste inversão dos papéis históricos, de seguida apareceram dois Pôncios Pilatos (Jerónimo de Sousa e Carvalho da Silva) a lavar as mãos em relação ao que tinha acontecido. Um argumentou não ter visto o que se passou e o outro aconselhou-nos a compreender o desespero dos judeus - perdão, dos trabalhadores - que decidiram apaziguar o seu sofrimento amassando o senhor que abandonou a antiga religião.
A partir daí, iniciou-se uma velha discussão teológica: o Partido Socialista criticou o Partido Comunista por querer demonstrar que Vital é mortal, e o Partido Comunista acusou o PS de andar há muitos anos a afastar-se do caminho da verdade.
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O mais estranho nisto tudo é que até há pouco eles eram irmãos na fé. E não precisamos de recuar aos tempos de Abraão: basta-nos recuar até ao dia anterior à cena de pancadaria, quando PS e PCP, juntamente com PSD, PP e BE, tinham exibido uma admirável tolerância religiosa em matéria de financiamento partidário.
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Qual Jesus nas margens do lago Tiberíades, os cinco partidos procederam ao milagre da multiplicação do dinheiro vivo, com as contribuições de pilim caído do céu a crescerem mais de 50 vezes, perante o olhar espantado da multidão. As más-línguas gritaram que se tratava de uma heresia. Os partidos defenderam que os seus corações eram puros.
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Tal milagre, pregaram, não tinha como objectivo encher os bolsos das campanhas em ano de triplas eleições - claro que não! -, mas sim limpar os pecados do PCP, que tinha uma legião de demónios a infestar as contas da Festa do Avante. Alguém duvida de tão boas intenções? Só os apóstatas duvidam.
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É certo que os corações mais duros não param de se interrogar. Como se explica que depois de tanto amor o mesmo PS que generosamente auxiliara o PCP o estivesse a chibatar? Como se entende que escassas 24 horas passadas soldados comunistas desatassem a vergastar o filho pródigo socialista?
É não perceber nada de teologia: há sempre confusões quando Cristo desce à Terra.
Mas lá no Céu, como se sabe, Deus há só um - e Ele vela carinhosamente pelo bem-estar financeiro de todas as religiões.
João Miguel Tavares
in DN

martes, 5 de mayo de 2009

O Seguro do PS...

De vez em quando, os partidos resolvem jurar que são a favor da transparência no seu financiamento.
Até fazem leis sobre a matéria – que violam sistemática e compulsivamente nas campanhas eleitorais.
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Até aqui, pelo menos, ainda tinham o pudor em disfarçar. Agora já nem isso. O Parlamento aprovou uma nova lei que aumenta a opacidade e que contrasta com tudo o que vinha a ser alegado até aqui.
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Incoerentemente, as regras do financiamento partidário só funcionaram até à véspera das campanhas eleitorais; depois, esvaziou-se a prosápia do costume sobre a clareza na angariação de fundos.
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Em 230 deputados, só um teve a dignidade de votar contra: António José Seguro. Os habituais arautos da moral na política deviam estar ocupados a ligar ao ‘homem da mala’.
Carlos Abreu Amorim
in CM