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jueves, 11 de junio de 2009

Os mesmos à mesa...

Acentua-se a decadência do PS, esse projecto sem projecto, esse 'socialismo' desacreditado e desacreditante
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Os resultados estão muito aquém das nossas expectativas. São decepcionantes", disse Sócrates, rosto compacto e voz pesada. Já suspeitava de que o primeiro-ministro tem vivido num universo plano, no qual é inexistente a espessura das coisas e a evidência dos factos. A prova forneceu-a ele próprio, com a taciturna confissão.
Que esperava da sua rude teimosia, da sua obtusa empáfia, ele, mais propenso às volúpias do mando do que às obediências da ideologia?
Sócrates perdeu para quem? A admitir, como júbilo, a selvagem alegria de Paulo Rangel, e como declaração de impostos a fúnebre catadura de Vital, Sócrates perdeu para toda a gente. Mas o PSD vence quem? O PS e o Governo?
Se a verdade enriquece mais do que a reticência, o Bloco Central sai incólume deste imbróglio. O Bloco Central é uma instância de poder, desprovida de convicções, e, sobretudo, destinada a distribuir empregos. O PS não é "socialista" (creio que nunca o foi) e o PSD foge espavorido da "social-democracia".
É verdade que o Bloco subiu, o PCP aumentou o número de votantes, e o CDS sacudiu a letargia com a qual desejavam amortalhá-lo. Mas as coisas estão rigorosamente na mesma: elementares e antigas. A mesa está posta para os mesmos. E não é preciso restaurar a frase de Lampedusa; basta reler, por exemplo, o "Portugal Contemporâneo", do Oliveira Martins, para se entender quem manda e sempre aqui mandou.
Paulo Rangel saiu-se menos-mal de uma contenda de mediocridades. No PSD é olhado de viés. O baronato acha-o levemente patusco e um pouco ridículo. Pelejou sozinho, ou quase, contra desdéns e omissões.
Ao contrário do que afirma o cada vez mais enfatuado e fatigante Pacheco Pereira, o candidato do PSD não seguiu a "estratégia" da dr.ª Manuela, pela simples razão de que essa "estratégia" não existe. A vitória nestas eleições cabe, por inteiro, a Paulo Rangel, o qual atribuiu a si próprio a defesa de um castelo cercado, cujos paladinos haviam debandado.
Que fazer com esta vitória?
Os senhores do PSD começaram, já, a assenhorear-se de uma glória que lhes não pertence; Rangel vai para Bruxelas mas, antes, será crestado em fogo brando; e, com maior ou menor fortuna, passada a increpação nervosa do momento, a dr.ª Manuela continuará alvo de conspirações e objecto de pequenas deslealdades.
É o PSD, tal o caracterizou Sá Carneiro.
Em todo o caso, acentua-se a decadência do PS, esse projecto sem projecto, esse "socialismo" desacreditado e desacreditante. Mas poderá José Sócrates inverter a tendência para o abismo? Fará pequenos remendos como um remorso sobressaltado. Apenas isso.
Nada de substancial que sacuda a leve rotina das coisas.
Baptista-Bastos
in DN

domingo, 17 de mayo de 2009

Karl Marx tinha razão e os partidos sabem-no!...

Os partidos duplicaram o montante máximo que irão poder receber dos privados. Devem conhecer bem "O Poder do Dinheiro" de Karl Marx
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Não são bons sentimentos o que vos trago. Pelo contrário. Estou até um pouco irritado e indisposto. Estou até cheio de maus fígados porque vejo que me enganaram, melhor, que nos enganaram. Comecemos pelo princípio.
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Calhou-me há tempos ler um texto de Karl Marx, chamado "O Poder do Dinheiro". Sempre que leio Marx apercebo-me de que o barbudo acertou em imensa coisa, mesmo que tivesse falhado depois no essencial. Esse texto sobre a força do vil metal foi escrito em 1844. E é a melhor prosa que alguma vez li sobre o assunto.
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O que nos diz Marx é sucintamente o seguinte: o dinheiro define não só a minha individualidade para mim próprio, como a minha individualidade para os outros. Ser é poder? Para Laurinda Alves, talvez.
Ser é, acima de tudo, ter (corrigindo Marx, o melhor seria dizer: também é ter). Se eu for feio, burro ou tímido, o simples facto de ter dinheiro torna-me capaz de atrair mulheres bonitas, de parecer in- teligente, de me apresentar confiante e próspero aos olhos dos outros. O dinheiro transforma as insuficiências do seu portador em virtudes que ele não possui naturalmente. Por isso, acrescenta Marx, o dinheiro distorce as qualidades como elas na realidade são. Onde pensávamos que existia estupidez, infidelidade, mau gosto e fealdade, passamos a ver mérito, fidelidade, bom gosto e perfeição.
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Suspeito que os nossos partidos devem conhecer esta peça marxista de trás para a frente. Porque, se não for assim, não irei perceber o que os fez aprovar há dias uma nova lei de financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais. Num ano, note-se, de eleições e crise económica, assaltou-lhes a urgência súbita de mudar as regras do financiamento privado para que o dinheiro passe a jorrar com mais força e destreza dentro dos cofres das direcções. Querem mais dinheiro os partidos? Pois claro. E não tiveram meias-medidas.
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Estamos a falar da duplicação do montante máximo que os partidos irão poder receber dos privados como contribuições dos militantes e an-gariação de fundos. Tudo sob a desculpa de que a Festa do Avante rende ao PCP dinheiro que a lei não permite contabilizar.
Mas o que podia ter sido uma excepção só para situações limitadas, converteu-se numa regra geral para todos.
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Anteontem, em resposta aos críticos que logo começaram a falar em malões e Capelos Regos, o deputado do PS Ricardo Rodrigues quis ser pedagógico: não haverá dinheiro que não fique sujeito às regras de transparência e ao controlo dos tribunais. Mas o que conta é o resultado final: o dinheiro vem aí, há-de vir. Fora alguns beneméritos, estão todos de acordo. Este também é o bloco central.
Pedro Lombas
in i

miércoles, 13 de mayo de 2009

Coligações e medos...

Há um medo puro e muito infantil de ver o Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista no Governo.
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Umas das coisas que mais me causam impressão na nossa democracia é o facto de, 35 anos depois da revolução, os partidos à esquerda do PS nunca terem feito parte dos governos, exceptuando naqueles tempos loucos iniciais de 75.
Apesar de a democracia estar estabilizada, há uma estranha impressão de que mais de metade do país ainda acha que os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço e que os bloquistas de esquerda nos vão roubar as pratas da família.
É curioso como tanta gente, desde a direita a boa parte dos socialistas, tem pesadelos à noite só de pensar na hipótese de ver Francisco Louçã ou Jerónimo de Sousa como ministros de um governo de Portugal.Há um medo puro, limpo e básico, mas totalmente irracional, dessa situação. As pessoas agitam-se nas cadeiras, inflamam-se, como se fossem tias velhas zangadas com a criadagem. E claro, o medinho é tanto que desata logo tudo a falar no famoso Bloco Central, cujo único propósito é exactamente o de evitar esse tenebroso cenário de ver PCP ou BE nas cadeiras do poder.
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Infelizmente, isto trata-se de uma infantilidade tonta, um trauma de infância das gerações que viveram o antes e a revolução como se fosse o ponto mais alto da vida delas e ainda transportam para o presente esses receios nocturnos de menino e menina. Malta, isso foi há 35 anos, percebem? O tempo dos ‘comunas’, dos barbudos e do MFA já passou há tanto tempo que já nem eles se lembram de como eram naqueles tempos.
Agora, têm todos carro, cartão de crédito, DVD, telemóvel e vestem roupa nas mesmas lojas que todos nós. Hoje, ao contrário de há 35 anos, já não se consegue distinguir um comunista de um democrata-cristão antes de eles falarem. Claro que, quando uns ou outros abrem a boca, ainda se ouvem uns ecos vagos das célebres ‘cassetes’ do passado, mas a voz é roufenha e já ninguém liga muito ao que dizem.
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Sendo assim, não vejo nenhuma razão para existir um Bloco Central. Se o PS não tiver maioria absoluta, o PS que se entenda com os partidos à sua esquerda, PCP e BE. Vão ver que a perspectiva de ser poder os modera logo.
No Brasil, também se dizia que Lula era um perigo e o que aconteceu foi que ele se tornou num senhor moderado e de confiança.O poder modera as paixões políticas, e se o BE ou o PCP chegarem ao poder terão de moderar-se também.
Foi aliás isso que aconteceu em Lisboa, com o senhor Sá Fernandes. O poder é assim, sempre foi e sempre será.
Domingos Amaral
in CM

sábado, 9 de mayo de 2009

Coisas do Arco-da-Velha...Mais 17,8 milhões para campanhas...

As campanhas eleitorais vão custar mais 17,8 milhões de euros do que o previsto no orçamento da Assembleia da República para 2009. Em vez dos 70,5 milhões de euros, inicialmente estipulados para financiar os três actos, a subvenção estatal para as Europeias, Autárquicas e Legislativas é agora calculada em 88,3 milhões de euros, segundo o 1º orçamento suplementar, ontem publicado em Diário da República.
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No discurso das comemorações do 25 de Abril, um dos apelos do Presidente da República foi precisamente no sentido de haver contenção nos gastos eleitorais. "Que haja sobriedade nas despesas, que não se gaste o dinheiro dos contribuintes em acções de propaganda demasiado dispendiosas para o momento que atravessamos", insistiu. Mas o alerta de Cavaco Silva parece não ter surtido efeito.
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Num país de tesos, continua o despilfarro...
Acabem com os partidos e que venham os movimentos cívicos...Só se ganharia com a mudança...
A democracia só teria a ganhar

lunes, 4 de mayo de 2009

Triste unanimidade...

Os meninos e as meninas da chamada Casa da Democracia cozinharam muito em segredo umas alterações à lei do financiamento dos partidos.
Pela calada da noite, sem ondas nem debates escaldantes, trotskistas, comunistas, verdes, socialistas, sociais-democratas e centristas deram uma valente machadada num diploma que, em nome dessa coisa extraordinária a que chamam transparência, tinham aprovado há bem pouco tempo.
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A partir de agora, os partidos políticos podem receber em dinheiro vivo um milhão e duzentos mil euros, 55 vezes mais do que o montante definido anteriormente. Mas mais do que isso, qual cereja em cima do bolo, os partidos políticos não são responsabilizados se, por exemplo, um pato-bravo muito agradecido decidir mandar imprimir uns cartazes com as fronhas dos líderes partidários ou do autarca lá da terra.
Essas despesas, obviamente, não entram nas contas das campanhas eleitorais, não são considerados actos de corrupção e estão muito longe de configurar qualquer crime de tráfico de influências.
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Os partidos não têm culpa da generosidade do pato-bravo e este, coitado, vai sempre dizer que só quis exprimir o seu amor à democracia e ao partido que tantos sacrifícios faz pelos indígenas. Do conjunto de 230 meninos e meninas, apenas um votou contra esta vergonha e outra optou pela abstenção. Os dois do partido do senhor presidente do Conselho. Tudo isto acontece numa altura em que aumenta o desemprego, há milhares e milhares de pessoas desesperadas e outras tantas com medo de ficarem de um dia para o outro sem trabalho. Tudo isto acontece depois de o senhor Presidente da República ter feito um apelo solene à contenção e de ter pedido expressamente aos partidos que tenham respeito pelos indígenas.
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Obviamente que a tentação do dinheiro falou mais alto. Obviamente que esta atitude unânime revela a degradação ética e moral a que chegaram os partidos deste sítio manhoso, pobre, deprimido, cada vez mais miserável e obviamente cada vez mais mal frequentado.
Depois façam-se de virgens ofendidas, aos gritinhos, muito indignados, a falar em liberdade, democracia, tolerância e outras patacoadas.
Depois de mostrarem tanto desprezo por quem sofre as consequências de políticas económicas criminosas, tudo o que de mal acontecer a estes políticos é bem merecido.
Temos muita pena, mas o direito à indignação é como o Sol. Quando nasce é para todos.
António Ribeiro Ferreira
in CM

Sondagem...PS fica àquém da maioria absoluta e PSD está a crescer...

Apesar da crise económica e dos desenvolvimentos do caso Freeport, os portugueses voltariam a confiar no PS para governar caso as eleições legislativas ocorressem neste momento, segundo o barómetro do Centro de Sondagens da Universidade Católica, elaborado para o DN, JN, Antena 1 e RTP. Neste estudo de opinião, estima-se que os socialistas conseguiriam 41% das intenções de voto, o que fica aquém do resultado obtido em 2005 e longe, por isso, da maioria absoluta. Já o PSD cresceria para os 34%, quando nas anteriores legislativas, sob o comando de Pedro Santana Lopes, obteve 29% dos votos expressos.
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Na sondagem que o DN divulgou no sábado sobre as intenções de voto nas eleições europeias, o PS também aparecia à frente do PSD, mas a uma distância menor do que nesta projecção relativa às eleições para a Assembleia da República. Os socialistas conseguiam 39% dos votos e o PSD 36%. O que aponta para uma penalização superior do eleitorado ao partido de governo nas eleições de 7 de Junho do que nas legislativas que decorrerão no Outono.
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A força liderada por Manuela Ferreira Leite tem, apesar de tudo, um resultado mais risonho nesta projecção do que nas várias sondagens que têm vindo a público sobre as legislativas. O PSD tem surgido consecutivamente na fasquia dos 30%, e até abaixo, quando neste barómetro atinge os 34%, o que coloca o partido a sete pontos percentuais do principal rival.
Recorde-se que em 2005 o partido obteve o terceiro pior resultado nas legislativas desde 1976. Nesse ano, o então PPD de Sá Carneiro conseguiu apenas 24% dos votos e na sequência da queda da AD, nas eleições de 1983 só atingiu os 27%, altura em que forma com o PS (partido mais votado com 36%), o famoso governo de bloco central.
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À esquerda do espectro partidário, o BE é a força que mantém consistência de crescimento eleitoral ao atingir a fasquia dos 12% nas intenções de voto deste barómetro. O que a concretizar-se nas legislativas representaria o crescimento para o dobro da sua representação parlamentar e colocaria o partido como a terceira força na AR. Nas eleições de 2005, o BE conseguiu 6% dos votos e oito mandatos no Parlamento.
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A CDU, a coligação PCP/PEV, ao situar-se nos 7% nas preferências dos inquiridos, desce em comparação com anteriores estudos de opinião (que a têm situado na casa dos 10%) e também com as anteriores legislativas. Há quatro anos, a coligação liderada por Jerónimo de Sousa obteve 8% dos votos e 14 deputados em São Bento.
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Queda drástica neste barómetro sofre o CDS/PP. O partido de Paulo Portas fica-se pelos 2%, quando em 2005 conseguiu 7% e 12 mandatos na AR, ficando à frente do Bloco. Mesmo em 1987, na primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, quando ficou reduzido a quatro deputados, o que valeu à bancada parlamentar o apelido de "táxi", o CDS obteve mais de 4% dos votos expressos.
in DN
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A maioria absoluta PS, foi chão que deu uvas...adivinha-se um governo PS sem maioria, o que significa que Sócrates terá que deixar o "posso e mando" e fazer um curso intensivo de humildade, se quiser continuar no "poleiro"...
A mim, "cheira-me" a que o homem não se aguenta a não ser que caia do céu uma dessas coligações manhosas do tipo Bloco Central, ou mesmo a aberração, PS/CDS...