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miércoles, 6 de mayo de 2009

Reerguer Flama só interessa a Jardim dizem fundadores...

Sobreviventes da organização garantem que ressuscitar agora o separatismo só tem a ver com quem está em guerra com Lisboa.
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Passados mais de 30 anos sobre a extinção da denominada Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira (Flama), dois sobreviventes do directório fundador saíram da clandestinidade para se demarcarem das recentes actividades atribuídas a este movimento separatista, nunca julgado pela autoria de mais de 70 atentados bombistas perpetrados entre 1975 e 1978 no arquipélago.
"A Flama desfez-se. Hoje é um conjunto de cadáveres que jaz no Cemitério de São Martinho", sintetiza João Costa Miranda, um dos três sobreviventes do directório constituído por 16 membros.
"Ressuscitar a Flama nesta altura é uma palhaçada, um disparate sem justificação possível. A frente nasceu num contexto, quando Portugal caminhava para uma ditadura comunista, mas agora não tem razão de ser, está extinta.
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Hoje levantar o espantalho da independência só interessa a quem quer colher dividendos da guerra com Lisboa", diz Miranda. Mais directo foi Daniel Drumond, outro membro do directório, ao apontar o dedo à Quinta Vigia, sede da presidência do Governo regional. O terceiro elemento ainda vivo, que é fundador do movimento, está no estrangeiro.
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Alberto João Jardim discorda da investigação que está a ser conduzida pela PJ sobre a colocação de bandeiras flamistas na madrugada de 25 de Abril passado em vários zonas da Madeira. Com esta acção, "para já de forma pacífica", era atribuído ao movimento o propósito de reiniciar "a sua luta". "Acho um atentado às liberdades, direitos e garantias andar a perseguir seja quem for por ideias políticas", justificou Jardim. "Nós estamos num país livre e as pessoas são livres de se manifestarem", acrescentou o governante e membro do Conselho de Estado que tem usado a ameaça independentista em momentos de maior aflição financeira da região ou quando negoceia reforços financeiros com Lisboa.
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Jardim diz ter "achado piada" na acção da semana passada atribuída à Flama, que incluiu o hastear da bandeira separatista no mastro do Palácio de São Lourenço. É a segunda vez que tal bandeira é hasteada neste monumento nacional, sede da representação da República, mas cuja posse é reivindicada pelo Governo regional.
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Na madrugada de 20 de Julho de 1975, em vésperas de uma grande manifestação do PPD que abriu uma cruzada contra o "colonialismo de Lisboa", o Funchal também amanheceu ornamentado com bandeiras do movimento a que foi atribuída a autoria de mais de 70 atentados bombistas contra bens do Estado (avião da Força Aérea, comando militar, Emissora Nacional e PJ) e viaturas de madeirenses conotadas com a esquerda. Os bombistas, disse-o Jardim no Parlamento da Madeira, "não são dignos de castigo, mas de recompensa", uma vez que são "defensores da pátria e da democracia".
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Em Fevereiro do ano passado, quando o Presidente da República visitou a Madeira, os sociais-democratas exigiram que a bandeira da região fosse hasteada no Palácio de São Lourenço.
Ao colocar agora a bandeira no palácio, os seus autores declararam que não querem "pertencer a um país governado por um corrupto que deveria estar preso".
Miranda, que se assumiu como antigo responsável editorial do movimento, negou também qualquer ligação da Flama ao comunicado divulgado com o seu símbolo na semana passada.
"Não tem qualquer semelhança com os nossos comunicados, nem no estilo, nem na ortografia e gramática. É um plágio tosco, rude e grosseiro", frisou.
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Acusado pelo líder regional do PS de ter responsabilidade na Flama, Jardim elegeu Sócrates como "o maior inimigo da Madeira desde o 25 de Abril" e único alvo a abater nas próximas eleições. E admitiu relançar, depois do próximo ciclo eleitoral, a ideia da independência a um ano do fim do mandato que, mais uma vez, promete ser o último.
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"Vamos aguentar até 2010" e "não terei qualquer receio em defendê-la [a independência] se vir" que "o Estado central autoritário abusa de poder sobre o povo madeirense".
T. de N.
in Público

martes, 5 de mayo de 2009

Otelo e a Frente de Libertação do Arquipélago da Madeira (FLAMA)...

Bandeira da FLAMA
"Fui designado pelo directório da Flama para desmobilizar os quatro encapuzados que preparavam um atentado contra Otelo", confessou Costa Miranda ao PÚBLICO.
"Iria transformar um inimigo em mártir e seria trágico para o movimento porque somos um povo de brandos costumes", justifica ao recordar que o candidato presidencial, em campanha na Madeira, se fazia transportar num autocarro cheio de crianças. "Ia ser uma carnificina"...
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"Se isso acontecer, todos os indivíduos envolvidos sofrerão consequências", terá, segundo o dirigente flamista, advertido o governador militar da Madeira. O brigadeiro Carlos Azeredo, ao tomar prévio conhecimento, asseverara ainda que "o fim de Otelo será o fim da Flama".
A 17 de Junho de 1976, Miranda dirigiu-se à Ponte do Seixo, em Água de Pena, com o objectivo de fazer abortar a operação para matar o ex-comandante do Copcon, plano de que o capitão João Machado diz ter sido o mentor.
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Este militante do CDS-PP, co-fundador da FAMA (fórum criado por Jardim e considerado sucedâneo da Flama), assumiu-se também como um dos organizadores da ocupação da antiga Emissora Nacional, em Novembro de 1975, acusada de ser "uma voz comunista" e posteriormente destruída pela deflagração de uma potente carga explosiva.
Miranda diz desconhecer quem foram os operacionais dos atentados, enquanto Daniel Drumond garante que "Jardim estava a par de tudo". Por isso, quando ascendeu ao poder, em 1978, acordou com membros do directório da Flama o fim dos atentados.
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A quebra do "pacto de silêncio" sobre esse período poderá explicar a estranha morte dos flamistas Jorge Cabrita, Júlio Esmerado e José Bacanhim, todos em circunstâncias nunca esclarecidas.
Antes, ainda no auge do bombismo, morreram dois jovens simpatizantes: Rui Alberto, também militante da Juventude Centrista, quando manuseava uma bomba-relógio que explodiu nas suas mãos, no Porto Santo, e, Alírio Fernandes, que tinha levado a gelamonite para aquela ilha, apareceu enforcado na prisão militar de Santiago.
T. de N.

in Público