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martes, 23 de junio de 2009

Portugueses...

Os portugueses tornaram-se mimados, pouco tolerantes com as contrariedades e incapazes de aceitar a mínima rejeição – e violentos, em consequência. Antes de se suicidar, um homem mata a sua família porque "não aceita o divórcio".
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Por causa de um jogo de futebol, dois miúdos esfaquearam-se e o bairro inteiro recebe a polícia à pedrada. Um ex-marido matou o novo namorado da ex--mulher "por não aguentar a situação". Um estudante universitário matou a namorada "porque ela o rejeitou".
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São notícias que vêm nas páginas de crime, é verdade, mas ajudam a pintar o retrato de um país que perdeu o pai, não reconhece a autoridade, teme as dificuldades, desconfia das instituições, muda conforme a onda e desculpa-se com dissimulação abjeta.
É um país moderno, arrogante e empobrecido.
Francisco José Viegas
in CM

miércoles, 10 de junio de 2009

Portugueses e outros...

O Verão anuncia mais desemprego e falências. As famílias receberam um lenitivo com as descidas das taxas de juro, mas os bancos já se encarregaram de agravar o fardo, aumentando as margens de lucro nos empréstimos.
As pequenas empresas, núcleo--duro da economia real, continuam a bater-se com a crise, mas também com uma carga fiscal ao nível da da Alemanha.
A esmagadora maioria de reformados esfalfa-se por chegar ao fim do mês.
Pequenos agricultores e pescadores vivem como há muito se sabe: na subsistência pura. Esses, todos esses, são os portugueses fustigados pe-la crise mais dura depois da I Guerra.
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É nesses portugueses que o Presidente pensa quando fala do combate à pobreza, do futuro do País ou veta o novo diploma do financiamento partidário. Não é nesses portugueses que os partidos pensam quando aprovam uma lei que lhes dá mais dinheiro, mais despesa, menos controlo e transparência.
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Não é nesses portugueses que muitos gestores públicos pensam quando se autoaumentam na casa dos dois dígitos percentuais. Não é no mundo dos portugueses que pensam ou estão quando fazem isso.
É no mundo dos outros, que são eles próprios, com padrões de vida exorbitantes num País exausto e cada vez menos disponível para cumprir a missão cívica de votar ou acreditar nas instituições.
Eduardo Dâmaso
in CM