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viernes, 23 de marzo de 2012

No Reino Da Granelandia I...


Listas de espera para cirurgias regressam em força
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É o maior aumento dos últimos anos: mais de 175 mil pessoas estão em lista de espera para cirurgias, que disparou 10% em relação ao ano anterior. O tempo médio de espera por uma operação também aumentou para três meses e uma semana. O deputado bloquista João Semedo diz que "é um resultado inevitável das políticas que têm sido seguidas de diminuir a capacidade do SNS".
Os dados provisórios dizem respeito ao final do ano passado e ainda não incluem os efeitos dos cortes do Governo na saúde pública no primeiro trimestre do ano.

lunes, 19 de marzo de 2012

Nem mileuristas...


Há meia dúzia de anos, a Europa descobriu o fenómeno dos mileuristas, jovens qualificados no ciclo de trabalhos precários e que não saiam dos mil euros dos rendimento, uma geração mais qualificada, mas mais pobre que a dos pais.
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Entretanto, a crise financeira arrastou milhões para o desemprego. Ontem, o ‘El País’ publicou uma reportagem com jovens espanhóis, para quem mil euros de salário já se converteu num sonho.
Em Portugal, esse valor nunca chegou a ser uma referência, mas agora os jovens qualificados que conseguem emprego têm nos 485 euros do salário mínimo o limiar. Triste presente e negro futuro de uma geração que regrediu para o nível de vida que os seus avós pensavam ter ultrapassado para sempre.
(in CM)

Portugal vai pedir novo resgate e arrisca-se a ser segunda Grécia ...


O presidente do maior fundo de investimento mundial antecipou hoje que Portugal irá pedir um segundo pacote de ajuda e considerou que o país corre o risco de seguir o destino da Grécia. "Infelizmente será assim", disse, em entrevista ao semanário alemão Der Spiegel, Mohamed El-Erian, presidente executivo da Pacific Investment Management Co. (PIMCO), que administra um capital de 1,3 biliões de dólares e tem uma grande influência nos mercados financeiros internacionais.
El Erian, que foi técnico do Fundo Monetário Internacional durante 15 anos, antecipa que o primeiro resgate não será suficiente e que Lisboa irá pedir um segundo pacote de ajuda aos parceiros europeus, o que levará ao "nervosismo dos mercados financeiros".

domingo, 11 de marzo de 2012

No Reino da Granelandia II...


Grande salto atrás. Gastos das famílias caem para nível de 2004...
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Quão grande está a ser o recuo dos gastos das famílias em Portugal? O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou ontem a resposta: o consumo dos portugueses caiu a um ritmo sem precedentes no último trimestre do ano passado, para o nível de meados de 2004. E o salto atrás no nível de vida não ficará por aqui.
Tendo em conta a previsão actual do Banco de Portugal, no final deste ano as despesas globais de consumo privado equivalerão às de 2002.“Será um recuo de uma década no consumo das famílias portuguesas”, admite o economista Filipe Garcia, da consultora IMF, no Porto.
A queda poderá estabilizar no próximo ano, mas num “novo normal” – por outras palavras, os portugueses levarão, em média, muito tempo para elevarem o consumo até aos padrões de 2008 (ano do pico nos gastos).
“Pelo menos enquanto não houver crédito para as famílias, mais emprego e melhoria da confiança”, acrescenta Garcia. A queda de 6,5% do consumo no último trimestre de 2011 é a maior desde o início da série de dados (1996) e cerca do dobro da verificada no trimestre anterior.

viernes, 9 de marzo de 2012

No Reino da Granelandia II...


Novos pobres. A classe média portuguesa passa fome
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A classe média portuguesa conhece hoje o amargo da pobreza. Há fome não assumida e um índice preocupante de suicídios. São fruto do desemprego e do endividamento crescentes. O alarme vem das instituições de solidariedade social, como a Cáritas ou o Banco Alimentar, ouvidas pelo i.
À porta do Centro de Emprego do Conde de Redondo, em Lisboa, está Marta, de 43 anos, que veio inscrever-se no desemprego. Perdeu o trabalho que tinha numa editora e o marido está há 11 meses desempregado.
Ambos são licenciados.
Fala de uma situação aflitiva, pois perderam a casa por terem deixado de pagar o crédito e tiveram de ir com três filhos morar com os sogros. O marido está com uma depressão profunda. “Não dizemos aos amigos que em casa há dias em que se janta pouco mais que pão com manteiga”, diz, envergonhada.
Situações como esta são o pão nosso de cada dia para Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome:
“As pessoas da classe média não ousam reconhecer que necessitam de alimentos. Não pedem sequer auxílio alimentar. Procuram as instituições de solidariedade social para pedir orientação para renegociar os créditos.”

miércoles, 7 de marzo de 2012

Falhanço na Grécia custará um bilião de euros...


A probabilidade de incumprimento da dívida soberana de Portugal, Irlanda, Espanha, Itália, Bélgica e Áustria continua a agravar-se numn horizonte de cinco anos, segundo dados da CMA DataVision para a abertura de hoje. Portugal, Irlanda e Espanha pertencem ao "clube" dos 10 países com mais elevada probabilidade de entrarem em default, que é liderado pela Grécia.
A agência Reuters divulgou hoje que o Institute of International Finance (IIF), o lóbi internacional de credores privados das dívidas soberanas, calcula que um incumprimento "desordenado" na Grécia provocará um impacto de mais de um bilião de euros, colocando a Espanha e a Itália no corredor dos países da zona euro com necessidade de assistência financeira, além da necessidade de um segundo pacote de resgate a Portugal e a Irlanda.O documento do IIF, intitulado "IIF Staff Note: Confidential", e datado de 18 de fevereiro, refere, nas contas, que Portugal e Irlanda necessitariam de mais 380 mil milhões de euros durante cinco anos, enquanto Espanha e Itália teriam de ter uma ajuda imediata anti-contágio de 350 mil milhões de euros. Custos adicionais de recapitalização de bancos somariam 160 mil milhões de euros.
Apesar do IIF manter um discurso externo de que a negociação da troca de títulos está a correr bem, e que 12 grandes detentores de títulos gregos já estão envolvidos no acordo representando 90 mil milhões de euros de títulos (em 205 mil milhões de euros nas mãos de privados), multiplicam-se os rumores de que o nível de adesão "voluntária" poderá não atingir na quinta-feira a meta colocada pelo governo grego.
Segundo uma fonte anónima da troika que acompanha a Grécia, citada pelo Financial Times Deutschland, o governo de Atenas terá de acabar por desencadear o processo de cláusulas de acção colectiva (CAC, obrigando todos os credores privados com dívida sob jurisdição grega), pois a participação "voluntária" será insuficiente.
O jornal alemão alvitra que se a participação for inferior a 2/3, Atenas não poderá ativar as CAC e todo o negócio de reestruturação de 53,5% do valor da dívida em mãos de credores privados poderá ir por água abaixo. É este cenário pessimista que motiva os receios secretos do IIF.
Além da incerteza sobre o desfecho da negociação da reestruturação parcial da dívida grega, têm-se avolumado duas situações adicionais de stresse, na Irlanda e em Espanha.

No Reino da Granelandia I...


64 condutores por dia deixam de pagar o seguro do carro
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São cada vez mais as multas por falta de seguro. Em apenas três anos, as autoridades passaream 61375 multas a condutores de automóveis por circularem sem seguro.
De acordo com os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, o número de contraordenações motivadas pelo incumprimento do artigo 150º do Código da Estrada que se refere à "Obrigação de seguro" aumentou para os 23345, uma subida de 18% em relação ao ano apssado.

miércoles, 10 de junio de 2009

Portugueses e outros...

O Verão anuncia mais desemprego e falências. As famílias receberam um lenitivo com as descidas das taxas de juro, mas os bancos já se encarregaram de agravar o fardo, aumentando as margens de lucro nos empréstimos.
As pequenas empresas, núcleo--duro da economia real, continuam a bater-se com a crise, mas também com uma carga fiscal ao nível da da Alemanha.
A esmagadora maioria de reformados esfalfa-se por chegar ao fim do mês.
Pequenos agricultores e pescadores vivem como há muito se sabe: na subsistência pura. Esses, todos esses, são os portugueses fustigados pe-la crise mais dura depois da I Guerra.
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É nesses portugueses que o Presidente pensa quando fala do combate à pobreza, do futuro do País ou veta o novo diploma do financiamento partidário. Não é nesses portugueses que os partidos pensam quando aprovam uma lei que lhes dá mais dinheiro, mais despesa, menos controlo e transparência.
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Não é nesses portugueses que muitos gestores públicos pensam quando se autoaumentam na casa dos dois dígitos percentuais. Não é no mundo dos portugueses que pensam ou estão quando fazem isso.
É no mundo dos outros, que são eles próprios, com padrões de vida exorbitantes num País exausto e cada vez menos disponível para cumprir a missão cívica de votar ou acreditar nas instituições.
Eduardo Dâmaso
in CM

martes, 26 de mayo de 2009

Uma triste imagem da crise...

Nós que vivemos 'bem', raramente pensamos nas pessoas que ainda vivem na pobreza.
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Esta foto, tirada num país no coração da Europa, mostra que a pobreza existe em todo o lado.
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Esta mulher que passeia com as suas velhas e muito usadas roupas, e alguns sacos de plástico na mão, não pode deixar ninguém indiferente!
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Envia esta mensagem a todos os teus amigos, de modo a todos ficarem conscientes de que nem toda gente vive tão bem como tu e eu ..

Os arautos da confiança...

Ainda que de forma envergonhada, começam a aparecer por aí os primeiros arautos da confiança no futuro próximo.
Dizem eles que a crise económica já bateu no ponto mais baixo. Dizem eles que se vislubram no horizonte os primeiros sinais de que o pior já passou. Dizem eles que não tarda nada e já podemos suspirar de alívio. Finalmente.
Verdade que nenhum dos optimistas se atreveu a decretar, como fez um dia o ministro Manuel Pinho, o fim da crise. Mas que o perigo do regresso do facilitismo anda à solta, lá isso anda. A coisa, claro, tenderá a piorar, com a série de três eleições que temos à porta.
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E, no entanto, os números (essa terrível arma que tantas vezes atropela os desejos das boas almas) mantêm-se teimosamente maus. Seguem-se dois curtos exemplos.
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O Produto Interno Bruto (PIB - indicador que traduz a riqueza produzida) dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que junta os trinta países mais industralizados) caiu 2,1 por cento no primeiro trimestre de 2009 face ao anterior, registando a maior queda desde a criação deste indicador em 1960, indicou ontem aquela prestigiada organização.
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O que significa isto? Que nos países mais ricos ainda não se vislumbra nenhuma retoma. E se nos países mais ricos não há sinais de entusiasmo, o que pode pensar-se dos países mais pobres, como o nosso? Que a retoma ainda é uma miragem. E é, de facto. Na Zona Euro, por exemplo, a queda do PIB foi superior à média (2,5 por cento, após ter cedido 1,6 por cento nos três últimos meses do ano passado).
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Consequências? Estão à vista. Manchete da edição de ontem do JN: a crise está a obrigar 326 mil pessoas a recorrer a um segundo trabalho para poderem sobreviver, esticando as remunerações até ao limite dos limites, em condições dignas.
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De acordo com o insuspeito Instituto Nacional de Estatística, um terço dos empregados (cerca de um milhão e meio de pessoas) leva para casa, ao final do mês, pouco mais do que 600 euros. Outro milhão de pessoas ganha até 900 euros mensais. Há mais pessoas a auferir menos do que 310 euros do que a ganhar entre 1800 e 2500 euros. E ainda há umas dezenas de milhares a trabalhar a troco de um salário pago em espécie.
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Se pensarmos que todas estas pessoas - ou, pelo menos, a maioria delas - tem filhos para sustentar, chegaremos depressa a um cenário que contraria e torna absolutamente inverosímil qualquer espécie de sorriso mínimo perante o que o futuro próximo nos reserva.
Desconfiemos, portanto, das vozes que propalam tal cenário. Desconfiemos...
Paulo Ferreira
in JN

martes, 28 de abril de 2009

Os arautos do miserabilismo...

A inquietação mundial não pára. Saltamos da pandemia das aves para a febre dos porcos, da peste financeira para a recessão económica, mal tínhamos saído do aumento brutal dos combustíveis... a globalização não nos traz paz e sossego e percebemos que não estamos só em rede para o bem, passamos a estar agarrados em rede para a tragédia.
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A crise internacional que se sobrepôs à crise nacional- que cresce e se aloja como um vírus desde os tempos da decadência do cavaquismo- parece servir para servir de álibi ao pior que alguma vez se fez no país.E, agora num remake do que foi o famigerado PREC, aparecem umas carolas iluminadas, ditando teorias que já não são as neo-liberais de génios da gestão. como João Rendeiro, mas de um teor justiceiro, pretendendo castigar os ricos mais fracos, os gestores que durante uma década foram a base de sustentação de um regime injusto, feito para criar novos-ricos e ganhar à fartazana em engenharias financeiras, estudadas e aconselhadas em universidades tão prestigiadas como a Católica.
Verdade.
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A moda económica passou a ser, não já a dinâmica e a lei do mercado, mas a abstinência salarial, uma receita prescrita por uns endireitas armados em génios, ou por agentes do capitalismo ferido, que mantêm essa máxima: lucro máximo, para investimento e risco minimos.
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Há pouco na SIC-N um desses mágicos, um tal Vítor Bento especialista em cartões multibanco, defendia através de um gráfico em papel A4 (voltámos ao antigo!) que os nossos ordenados tinham de descer.
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Não explicava se o dele também, e de um exército de gestores deste país que ganham dezenas de milhares de euros por mês, mais carros topo de gama, cartões de crédito, dividendos e outras mordomias mais ou menos secretas.
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Não explica porque há empresas onde a diferença do salário mais baixo para o mais alto chega a rondar as vinte vezes, e onde ao lado dos carros de seis cilindros da administração há funcionários que têm de trazer a comida de casa numa marmita porque nem podem comer na cantina da empresa.
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Portanto: esta nova casta de iminências que têm um inexplicável tempo de antena nas televisões e nos jornais, pagos pela publicidade que nós consumimos, têm já um objectivo claro: espalharem a desgraça, assustarem, para depois iniciarem o processo usado pelos conservadores das cavernas: salários baixos, falta de qualificação, produção medíocre.
Querem uma sociedade capitalista de consumidores fracos, no fundo defendem o contrário do que deviam: um capitalismo forte, com vigor e pujança consumista.
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O que vale é que a febre dos porcos ainda os vai entretendo.
in Blog Instante Fatal

jueves, 23 de abril de 2009

Cada vez pior...

Fazer previsões económicas nos dias que correm é um exercício arriscado. Em cada semana que passa, os dados parecem mais negativos e, sabendo-se o que se sabe agora, até os avisos de Medina Carreira com alguns meses parecem advertências de um incorrigível optimista.
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Ontem o FMI publicou uma previsão sobre a economia portuguesa em que aponta para uma quebra da riqueza de 4,1%, ainda mais severa do que a previsão do Banco de Portugal. Ainda não se conhece a real intensidade da crise, nem se sabe se já bateu no fundo, mas certamente as consequências serão devastadoras e todos vamos pagar caro.
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As primeiras vítimas são os desempregados, em número cada vez maior. E se perder um emprego é um choque, o maior drama é quando perdem o direito ao subsídio de desemprego. José Sócrates anunciou o alargamento dos beneficiários do subsídio social, mas a prestação é mínima. E ninguém garante que a retoma se traduza na recuperação do emprego agora perdido.
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As grandes empresas aproveitaram a crise para racionalizar custos e mudar processos produtivos. Além dos desempregados, há o outro enorme exército, os trabalhadores precários, muitos deles jovens sub-30 com formação superior que dificilmente chegarão a ganhar mil euros por mês.
O Mundo está perigoso, mais triste e com menos esperança.
Armando Esteves Pereira
in CM