Mostrando entradas con la etiqueta Eleições Europeias. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta Eleições Europeias. Mostrar todas las entradas

domingo, 21 de junio de 2009

Manter o rumo?...

Na noite das Eleições Europeias, José Sócrates e o PS foram derrotados.
Não se vislumbrou nenhum sinal de humildade, muito menos de autocrítica. Manter o rumo foi a palavra-chave.
Todos sabemos que se trataram de Eleições Europeias com características próprias. Não votámos para a Assembleia da República. Mas mesmo só quem não quer ver, ignora os sinais do eleitorado.
.
Durante a semana que se seguiu apenas dois exemplos daquilo que é de facto a orientação do PS e a essência da sua política neoliberal: fez aprovar, apenas com os seus votos, o código contributivo para os regimes da Segurança Social que vai resultar, nada mais nada menos, do que na redução objectiva do salário dos portugueses e portuguesas, assumindo que se recusa a debater novas formas de financiamento da Segurança Social.
E anunciou o chumbo de criação de uma tarifa social nos serviços essenciais de energia (electricidade e gás), proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda, seguindo, aliás, a prática de muitos países europeus. Tudo em tempo de crise económica e social.
.
Manter o rumo. Ou seja, não alterar um milímetro a estratégia seguida para o combate à maior crise das últimas décadas. É por isso tempo, daqui até Setembro, de debates sobre as alternativas que se colocam. E é tempo de pensar e agir, numa lógica contrária à condenação do País à governação do bloco central.
.
O PSD que se cuide, pois a sua vitória não significa um reconhecimento sobre as políticas que, aliás, pouco diferem, no essencial, das que foram e são seguidas pelo PS. A alternativa à esquerda reforçou-se e ainda tem muito para dar a este País.
Helena Pinto
in Esquerda.Net

jueves, 18 de junio de 2009

Silêncio...

Um manto de silêncio caiu sobre os resultados das europeias.
Tirando o CDS, que prosseguiu a ‘missão BPN’, agora ainda mais anti-Vítor Constâncio, e avançou com projecto de lei sobre sondagens, tudo o mais parece em ressaca.
BE e PCP medem efeitos e reganham balanço.
PSD limita-se a lembrar, em cartazes, que não baixa os braços. Versão humilde, em tempo de vitória.
O PS – esse – está entre a digestão da derrota e a ponderação da saída (depois de Sócrates ter deitado fora a hipótese de mea culpa, estilo Cavaco em autárquicas de 1989).
Na dúvida, o silêncio convém-lhe.
A ver se os portugueses se esquecem de dia 7. Com semana de ‘pontes’ pelo meio.
Só que não se esquecem. E precisam de muitas e boas razões para esfriarem a indignação (para não dizer saturação).
Marcelo Rebelo de Sousa
in Sol

miércoles, 17 de junio de 2009

PS no pós-eleições...

E agora?
Agora, Sócrates deveria arrepiar caminho, mas não faz o seu feitio – não reconhece, nem muda. Louçã vai acelerar, claro. Jerónimo consolida e pressiona. Portas não pode parar.
.
E Manuela, suave, suavemente, continuará a capitalizar erros socráticos e a apostar na ideia nuclear de que a crise exige confiança, esta exige verdade (e segurança) e de que uma e outra se identificam com PSD e a sua liderança. Três meses intensos!
Marcelo Rebelo de Sousa
in Sol

martes, 16 de junio de 2009

Sócrates e o duche frio...

JOSÉ Sócrates recebeu, na noite eleitoral, um duche frio de insucesso partidário e um banho gelado de alternância democrática (evento político que pensava ter afastado do seu horizonte por muitos e bons anos).
Não foram só as sondagens enviesadas a favor do voto socialista que iludiram o líder do PS. Sócrates sabia, de antemão, que as europeias eram as eleições mais convidativas para o voto de protesto de muitos eleitores descontentes. Mas continuava iludido quanto à sua imagem junto dos portugueses, convencido de que estes o viam num pedestal sem concorrentes à altura – e de que bastava a sua intervenção mediática na campanha, coadjuvada pela máquina endinheirada do PS, para controlar quaisquer danos eleitorais preocupantes.
Viu-se o resultado: uma queda histórica do PS de 44,5% para 26,6% e a vitória do PSD com cinco pontos de vantagem. Como concluiu, certeiramente, João Cravinho: «O efeito Sócrates, só por si, já não chega».
.
UM PRIMEIRO-ministro cheio de si próprio e da sua maioria não remodelou um Governo cansado e gasto porque não compreendeu a amplitude do desgaste político e eleitoral provocado por ministros já fora de prazo. Não percebeu o efeito corrosivo dos descabidos dislates do Jamais! ou da papa Maizena, da frieza impositiva na política da Educação, da linha de orientação revanchista da dupla Alberto Costa/Ricardo Rodrigues contra as magistraturas na área da Justiça ou da incorrigível sobranceria que transpira em cada intervenção do omnipresente ministro Santos Silva.
.
Como explicou, sucintamente, Manuel Alegre, o resultado das europeias, para o PS, «foi um voto de castigo, uma punição de políticas da governação e de um certo estilo». Agora, a três meses e meio das legislativas, é tarde para o primeiro-ministro remodelar, para mudar as caras, dar outra frescura e nova energia política ao Governo. Demasiado tarde.
.
SÓCRATES instigou a política do ‘quero, posso e mando’ numa maioria absoluta já com os piores tiques que esta potencia: autoritarismo, auto-suficiência, prepotência. Uma maioria partidária que não resistiu à tentação controleira sobre a informação e a comunicação social, que fomentou e cultivou a dependência (quando não a submissão) dos agentes económicos e do sector financeiro ao poder socialista.
O país e a democracia respiram melhor desde a noite das eleições.
jal@sol.pt

lunes, 15 de junio de 2009

As eleições, o "mata mata" e Manuela Moura Guedes...

Na semana passada, grande parte dos comentadores destas crónicas não debateu o que era proposto, tendo deslocado os argumentos para uma espécie de referendo sobre a figura de Manuela Moura Guedes. A questão que se pretendia debater era esta: em muitas condenações públicas, o que está em causa não é tanto a figura que suscita o 'ódio', mas sempre uma ferida maior, de que essa figura (o exemplo dado era o de Manuela Moura Guedes) se torna moeda de troca ou imagem. Em vez de comentar esta ideia, que me parece simples, os muitos comentários à minha crónica preferiram o 'bate bate' ou, relembrando um famoso gaúcho, o "mata mata". Acontece aos melhores.
.
O que se passou há oito dias, nesta singela coluna, é o que se passa em muitas eleições. Mais do que aceitar a substância dos desafios propostos - no caso mais recente, acerca de questões eminentemente europeias -, os eleitores preferem geralmente castigar, protestar, esquematizar e ajustar posições. É um modo de agir razoável, legítimo e compreensível. E, sobretudo, livre. No entanto, este pressuposto não é apenas apanágio dos eleitores; é-o também dos partidos.
Ou seja, se Manuela Moura Guedes, na minha crónica anterior, funcionou como bode expiatório para uma secreta fúria fantasmática (por aprofundar), nas recentes eleições europeias foi o PS que assumiu esse papel de (desejado) tiro ao boneco.
.
Que circunstâncias tão únicas terão ocorrido para que o PS passasse a ser moeda de troca, ou imagem, de uma tal (e mais do que legítima) fúria eleitoral? Não, não foi apenas a crise dos mercados. Nem tão-só o lago azulado do Freeport de Alcochete. O que gerou, no imediato, a fúria foi outra coisa.
.
Essa outra coisa germinou num comício realizado em Évora. Foi nesse momento da campanha eleitoral que Vital Moreira iniciou a redutora estratégia de implicação BPN-PSD e que Capoulas Santos chegou a perguntar aos presentes: "Vamos entregar a governação a essa trupe?" (leia-se: ao 'pacto' BPN-PSD). A semente foi assim atirada à terra e acabou por gerar frutos porventura inesperados.
.
Não é difícil entender que os socialistas tenham tentado exorcizar outras "campanhas negras" e antigas "cabalas" - recorrendo ao seu próprio vocabulário - com este desafio estratégico, mas o dislate que daí emergiu acabou por ditar o sentido reparador do voto: um castigo exemplar sem ligação directa - reconheçamo-lo, já agora, francamente - com os temas capitais da eleição europeia.
.
O PSD foi um justo vencedor no passado domingo. Foi-o pela percepção de esgotamento das campanhas tradicionais. E foi-o, também, pela exaustão do "mata mata" socialista - esse derrame quase inquisitório a que as pessoas facilmente recorrem, mas de que, no fundo, não gostam. O voto nestas eleições foi particularmente livre, mesmo cruel.
.
Repare-se que os votos brancos e nulos - um novíssimo clímax da nossa tradição eleitoral - corresponderam, como nunca antes acontecera, a uma rara determinação de muitos eleitores. Pode dizer-se que um novo partido sem rosto e sem nome apareceu na cena eleitoral para baralhar todas as sondagens e o próprio espírito "mata mata" do nosso esclarecido povo.
Pelo meu lado, desenhei no boletim de voto um traço vertical por cima dos vários campos e quadradinhos. Uma linha recta que podia condensar o universo inteiro. Uma verdadeira obra de arte. Podem crer.
Luís Carmelo
in Expresso

domingo, 14 de junio de 2009

7 J - a data do atentado eleitoral contra o PS...

Se há coisa que ficou clara na derrota confrangedora do PS para baixo da barreira mítica do milhão de votos foi que, mais do que políticas, José Sócrates tem de mudar a forma como as elege, como as comunica e a imagem do seu governo sempre que as justifica.
A governação para as estatísticas (na saúde, na educação, na segurança) e a governação show off (glosando medidas que valem por si, como o Magalhães) não valem em nada quando milhares perdem o emprego diariamente ou vêem as suas empresas fecharem.
Sócrates devia ter ouvido Cavaco e transmitido a verdade dos factos e da crise de forma clara, mandando calar os ministros que insistem em vender ilusões.
O que os eleitores puniram acima de tudo nestas eleições europeias - que os portugueses continuarão a desvalorizar enquanto figuras como José Lello as considerarem "a feijões" (dixit, DN, 11 de Junho) - foi uma certa forma de fazer política.
Foi a arrogância do ter sempre certezas sem admitir qualquer discussão (até na escolha de Vital), o quero, posso e mando sem dar ouvidos a quaisquer sugestões, a falta de humildade para arrepiar caminho da maioria dos ministros.
E é por isso que boas reformas, boas decisões e opções estratégicas correm o risco de cair nestes três meses em que o Governo, já sem tempo para alterações profundas e acossado pelo aviso de 7 de Junho (7J) e pela pressão da oposição (à esquerda e à direita, com Alegre pelo meio), dificilmente deixará de ceder às tentações eleitoralistas.
Filomena Martins
in DN

sábado, 13 de junio de 2009

Europeias: razões e paradoxos...

As recentes eleições europeias suscitam, por diversas razões e paradoxos, uma reflexão que se quer profunda e continuada. Desde logo, porque paradoxalmente - e justamente num momento de crise propício para se discutir as melhores formas de prosseguir a construção europeia - na maioria dos estados-membros da União o debate interno sobre o presente e o futuro da Europa foi inexistente.
.
Depois por, nestas eleições, o mal-estar dos eleitores se ter traduzido, por um lado, numa acentuadíssima taxa de abstenção - que se em Portugal se situou nos 63%, na maioria dos países do Leste europeu se cifrou acima dos 70%, e em países como a Holanda e o Reino Unido superou os 60% - e, por outro, num aumento do número de votos em favor dos pequenos partidos, sobretudo ao extremo do espaço político.
.
Estes dois factos, diga-se, não surpreendem. Tradicionalmente, estas eleições são o momento de protesto escolhido pelos eleitores descontentes para se abster ou votar em partidos que em escrutínio nacional permanecem geralmente pouco significativos.
Mas talvez a razão principal para uma reflexão pós-europeias 2009 resida no facto de o voto europeu se ter dirigido expressivamente à Direita.
Ora, em momento de crise económica e social, a pergunta que naturalmente se coloca é: por que razão rumou a Europa tão à Direita?
.
Aqui importa responder que, a par de outros, uma das razões preponderantes terá sido, sem dúvida, a falta de união e também de orientação que acompanhou o Partido Socialista europeu em vésperas de eleições. Tíbio e sem saber chegar aos eleitores, firmando-se como alternativa, a verdade é que o Partido ASocialista europeu contou - só para alguns de forma inesperada - com um poderoso adversário: a aliança de Direita europeia liderada por Merkel e Sarkozy.
.
Procurando mobilizar especialmente alemães e franceses, mas dirigindo-se aos europeus, estes dirigentes da Direita defensora de um inequívoco liberalismo económico juntaram-se, uma semana antes das eleições, para publicamente apelar (paradoxalmente) a uma denominada "Europa forte que protege", isto é, de uma Europa que proteja a sua indústria da concorrência desleal e, consequentemente, o emprego em cada Estado. Sem surpresa, em conjuntura de crise este discurso de protecção da economia, do emprego e do interesse nacional obteve receptividade nestas europeias.
Lá diz o ditado "a união faz a força" e, ao que parece, Merkel e Sarkozy têm união e mote político para os próximos tempos.
Glória Rebelo
in JN

viernes, 12 de junio de 2009

´Sócrates...A fantasia acabou...

Na política como no sexo, a psicologia é importante. No passado domingo, a vitória do PSD nas Europeias foi sobretudo uma vitória psicológica: os portugueses perceberam que a invencibilidade do engº Sócrates era um mito urbano sem justificação racional.
Claro que as presidenciais já tinham ilustrado a fraqueza do personagem; mas a velhice de Soares e a inusitada candidatura de Alegre iludiram a realidade.
.
Agora, não há ilusões: eleito em 2005 em circunstâncias bizarras e irrepetíveis, Sócrates é, afinal, um arrivista autoritário e vulgar, que o jornalismo de serviço e a astrologia das sondagens têm levado ao colo com particular desvergonha. Por isso a derrota não é apenas dele; mas de todos os pequenos cúmplices que, desde 2005, persistem na construção de uma fantasia.
Foi essa fantasia que o país real destroçou.
João Pereira Coutinho
in CM

jueves, 11 de junio de 2009

Os mesmos à mesa...

Acentua-se a decadência do PS, esse projecto sem projecto, esse 'socialismo' desacreditado e desacreditante
.
Os resultados estão muito aquém das nossas expectativas. São decepcionantes", disse Sócrates, rosto compacto e voz pesada. Já suspeitava de que o primeiro-ministro tem vivido num universo plano, no qual é inexistente a espessura das coisas e a evidência dos factos. A prova forneceu-a ele próprio, com a taciturna confissão.
Que esperava da sua rude teimosia, da sua obtusa empáfia, ele, mais propenso às volúpias do mando do que às obediências da ideologia?
Sócrates perdeu para quem? A admitir, como júbilo, a selvagem alegria de Paulo Rangel, e como declaração de impostos a fúnebre catadura de Vital, Sócrates perdeu para toda a gente. Mas o PSD vence quem? O PS e o Governo?
Se a verdade enriquece mais do que a reticência, o Bloco Central sai incólume deste imbróglio. O Bloco Central é uma instância de poder, desprovida de convicções, e, sobretudo, destinada a distribuir empregos. O PS não é "socialista" (creio que nunca o foi) e o PSD foge espavorido da "social-democracia".
É verdade que o Bloco subiu, o PCP aumentou o número de votantes, e o CDS sacudiu a letargia com a qual desejavam amortalhá-lo. Mas as coisas estão rigorosamente na mesma: elementares e antigas. A mesa está posta para os mesmos. E não é preciso restaurar a frase de Lampedusa; basta reler, por exemplo, o "Portugal Contemporâneo", do Oliveira Martins, para se entender quem manda e sempre aqui mandou.
Paulo Rangel saiu-se menos-mal de uma contenda de mediocridades. No PSD é olhado de viés. O baronato acha-o levemente patusco e um pouco ridículo. Pelejou sozinho, ou quase, contra desdéns e omissões.
Ao contrário do que afirma o cada vez mais enfatuado e fatigante Pacheco Pereira, o candidato do PSD não seguiu a "estratégia" da dr.ª Manuela, pela simples razão de que essa "estratégia" não existe. A vitória nestas eleições cabe, por inteiro, a Paulo Rangel, o qual atribuiu a si próprio a defesa de um castelo cercado, cujos paladinos haviam debandado.
Que fazer com esta vitória?
Os senhores do PSD começaram, já, a assenhorear-se de uma glória que lhes não pertence; Rangel vai para Bruxelas mas, antes, será crestado em fogo brando; e, com maior ou menor fortuna, passada a increpação nervosa do momento, a dr.ª Manuela continuará alvo de conspirações e objecto de pequenas deslealdades.
É o PSD, tal o caracterizou Sá Carneiro.
Em todo o caso, acentua-se a decadência do PS, esse projecto sem projecto, esse "socialismo" desacreditado e desacreditante. Mas poderá José Sócrates inverter a tendência para o abismo? Fará pequenos remendos como um remorso sobressaltado. Apenas isso.
Nada de substancial que sacuda a leve rotina das coisas.
Baptista-Bastos
in DN

martes, 9 de junio de 2009

Onde pára o PS?...

As mais reveladoras imagens das eleições foram captadas no quartel-general dos socialistas, montado no Hotel Altis. A noite começou fria. Sem militantes e com imagens de alguns ‘notáveis’ em debandada logo que foram conhecidas as projecções de resultados.
.
Depois, por longos e ruidosos minutos, as televisões fixaram-se numa sala vazia, metáfora de circunstância de um partido também ele muito vazio de alma, de discurso e de rumo estratégico. O silêncio falava mais alto do que Sócrates.
Mas o extraordinário aconteceu quando os socialistas decidiram assumir a derrota.
A sala encheu-se de governantes, ex-governantes, deputados e ex-deputados, assessores disto e daquilo, chefes de gabinete, secretárias, administradores, autarcas e meia dúzia de líderes das federações e concelhias.
.
O povo socialista que pulula pelo Estado estava ali em peso, com meia dúzia de rapazes da JS para abrilhantar. Agora, o verdadeiro povo socialista, que noutros tempos enchia espontaneamente o Altis, cá fora e lá dentro, esse, esteve longe dali.
.
O PS tornou-se um partido de quadros colocados politicamente e cada vez menos de militantes e simpatizantes. Não debate, segue o chefe. Não contesta, verga-se às orientações. Está refém do pragmatismo e da gestão de interesses, a léguas do sonho e do rasgo estratégico de outras eras.
Eduardo Dâmaso
in CM

A segunda vida de Manuela Ferreira Leite...

Sobre o PSD. Estão a ver aqueles jogos de computador onde a energia do herói vai diminuindo à medida que leva pancada dos adversários?
.
Assim estava Manuel Ferreira Leite: 5% de energia, luz vermelha a piscar, cercada de inimigos, game over à vista. E eis que no último momento saca da cartola um daqueles suplementos vitamínicos que repõem a marca nos 100, ganhando um novo alento para chegar ao próximo nível. Paulo Rangel foi uma escolha pessoal sua, contra quase todo o partido e perante a surpresa da comunicação social. Mérito seu - e, sobretudo, um golpe de asa que ninguém desconfiava que Ferreira Leite pudesse ter.
Há quem nasça um bom líder e há quem se torne um bom líder. Boa líder, ela manifestamente não nasceu. A noite de domingo deu-lhe o tempo que precisava para demonstrar que se pode tornar uma. Pedro Passos Coelho deve estar tão triste quanto Vital Moreira.
.
Sobre o PS. Ainda a noite ia no início quando Mário Lino saiu do Hotel Altis. Para afastar os repórteres de televisão, disse que só ia ao carro buscar tabaco. Nunca mais se lhe ouviu palavra. Este sair para comprar cigarros e desaparecer no escuro é sintomático do estado em que o PS ficou na noite de domingo. Vital Moreira foi um desastre como candidato e teve o que mereceu. A sua derrota demonstra também que não é a máquina partidária e os comícios cheios que hoje em dia empurram quem quer que seja para a vitória.
Quanto a José Sócrates, a queda foi estrondosa, mas justiça lhe seja feita: na hora da derrota deu a cara, não se desculpou, prometeu luta e esteve ao lado do seu candidato. Comportou-se como um homem.
.
Sobre o bloco central. Desde 1985, quando surgiu o fenómeno PRD, que a soma de PS e PSD não caía claramente abaixo dos 60% numas eleições em Portugal. Esta fragmentação do espectro partidário já anda por aí a assustar os profetas da "governabilidade". Tendo em conta que já vamos em 20 anos de "governabilidade", limito-me a perguntar: aproximámo-nos da Europa? Desenvolvemo-nos como devíamos? Ganhámos com isso? A governabilidade está muito sobrevalorizada.
.
Sobre o fim do capitalismo. Mário Soares deve estar um pouco confuso. Então não era suposto que a crise demonstrasse a falência dos partidos da direita, alegados representantes do neoliberalismo selvagem que conduziu o mundo ao estado em que estamos? Pelos vistos, o povo europeu é louco: confia mais na direita do que na esquerda para o tirar da crise. Soares tem aqui matéria para mais uns artigos.
.
Sobre as sondagens. Já nem as noites eleitorais escapam às teorias da conspiração. Segundo o CDS, as sondagens pré-eleitorais não se enganam - as sondagens pré-eleitorais conspiram. Por todos os santinhos: mais cabalas, não.
joão Miguel Tavares
in DN

Tempo de fazer contas...

Peguemos então na máquina de calcular e deitemos contas à democracia que temos.
De mais de 9 milhões e meio de eleitores inscritos, 63% (mais de 6 milhões) entenderam, no passado domingo, que não valia a pena votar.
Considerando que outros 4,63%, tendo votado, o fizeram em branco, negando a confiança a qualquer partido, e que houve 2% de votos nulos, os portugueses que confiam ainda nos partidos que temos são já menos de um terço (30%).
.
O que significa que o PSD - partido mais votado - tem a confiança de apenas 9,5% dos portugueses (31,68% de 30%), e o PS de menos ainda: nem de 8% (26,58% de 30%). E todos os restantes partidos, no seu conjunto, de menos de 9%. É esta a legitimidade democrática (o PSD representando 9,5% dos portugueses, o PS menos de 8% e os restantes partidos menos de 9%) do actual sistema partidário.
.
O que levou a tal divórcio dos portugueses - que, no entanto, nas primeiras eleições após o 25 de Abril acorreram em massa, esperançada e entusiasticamente, às urnas - dos políticos e da política?
Teremos que mudar de povo? De políticos?
Ou devemos continuar a fazer de conta?
Manuel António Pina
in JN

ENFIM ... "OS VOTOZINHOS"!!!....

As eleições acabaram (supõe-se de vez) com o cárcere imposto pelo sr. Sócrates.
Contra o pensamento único, contra o autoritarismo e a delação, contra a soldadesca que tomou de assalto o Largo do Rato, contra a espuma dos interesses instalados, contra o medo derramado, contra as marionettes a soldo deste governo, contra os caluniadores das classes profissionais (os docentes, em especial), contra o jornalismo manipulativo (Habermas), contra o putedo intelectual, os eleitores que deram a vassourada impiedosa nessa gentinha do sr. Sócartes & amigos bradaram alto o direito à discordância.
A rua – essa admirável prostituta – tinha razão!
A sra. D. Lurdes Rodrigues queria contar os "votozinhos" e os eleitores, por uma vez (sem exemplo), fizeram-lhe a vontade. Um beijo, Ana Drago!
O sr. Santos Silva (vulgo S.S.), oficioso publicista da governação, "morreu" de boca. Graças, senhor! O paternal sr. José Lello, oráculo do regime, desapareceu em combate. Discretamente! O sr. Vitalino Canas, apóstolo da superstição socrática e sua testada, não se recomenda doravante a ninguém. Felizmente! O sr. Silva Pereira, animador de imposturas e orquestras únicas, foi esmagado. Estupendíssimo! O sr. Alberto Martins, reluzente de "democracia" interminável, lacrimejou. Inaudito!
O gentio - farto do colégio interno do sr. Sócrates – fulminou-os. Inteligentemente!
Perdedores: o sr. Sócrates e os seus idiotas úteis; Vital Moreira, mais a sua trovoada de argumentos indecorosos; a sra. Lurdes Rodrigues e o seu rosário educativo; a Eurosondagem e a sua proverbial açorda estatística; o folião dr. Mário Lino; o sr. Vieira da Silva e o seu engenho social demagógico; o desconexo e brejeiro sr. Manuel Pinho; o sr. Carlos César; o sr. cavernoso Almeida Santos; os vassalos jornaleiros do DN; o nosso querido e jovem Mário Soares; o amestrado sr. José Miguel Júdice; o sr. Emídio Rangel e a sua neurose indiscreta; a incrível comissária Câncio; o sr. Miguel Sousa Tavares e a sua rincharia afamada; a sempre sorridente Edite Estrela; o indescritível sr. Bettencourt Resendes; os suspeitosos escribas do JN; o autorizado funcionário (cheio de graça), o escriba Miguel Abrantes; aquele rapaz da mui "esquerda" alta, o doutrinal Pedro Adão e Silva; a gentinha escolástica dos blogs ou boudoir do sr. engenheiro.
Vencedores: o curioso e notável Paulo Rangel; a sra. Manuela F. Leite, pela sua arte de recato; o Bloco de Esquerda e a sua direcção; o PCP, pela sua resistência; o sr. Paulo Portas, pela sua arte de sobreviver; os professores e as suas associações ou grupos; o sempre fraterno Manuel Alegre e os socialistas honrados; as classes profissionais; o jornal Público e o seu director; o inteligente e imprescindível Rui Tavares; a TVI; a blogosfera livre, cívica e democrata; os homens dignos e os livres-pensadores.
in Blog Almocreve das Petas

lunes, 8 de junio de 2009

Votos deixam Sócrates em gestão...

A maré política mudou. Com este cartão laranja mostrado nas urnas, Sócrates tem certa a perda – no mínimo – da maioria absoluta. Ferreira Leite contará agora com um partido unido e disciplinado. Já cheira a poder no PSD.
Esse aroma, sabe-se, inebria as hostes social-democratas ao ponto de verem a sua futura primeira-ministra em quem até ontem somavam incapacidades para liderar.
.
No PS começará inexorável o dia seguinte, o dia após Sócrates. E este é o grande desafio ao ainda primeiro--ministro: perante um Verão que se prevê socialmente duríssimo, Sócrates terá de continuar a governar, enquanto o partido que o suporta estará já à procura de novas soluções para a liderança.
Na azáfama do fim de festa deste Governo, a Cavaco Silva caberá um papel mais central e reforçado nos poderes de vigilância que lhe assistem.
.
É já claro – na prova real dos votos contra a predição das sondagens – que os próximos três meses contarão com uma maioria absoluta no Parlamento desajustada da vontade actual dos eleitores. Tal facto terá de ser ponderado na acção governativa com efeitos nos próximos anos.
E isso Cavaco deverá fazer com total legitimidade.
Octávio Ribeiro
in CM

Há derrotados...

Ontem, deu-se o insucesso de uma campanha que jurou só falar em temas europeus e acabou a sujar os adversários à boleia de escândalos internos que não têm partido. Foi o desaire da táctica ridícula da ‘campanha negra’ e dos ‘poderes ocultos’.
Foi a queda de um estilo peculiar de querer ser ‘duro’, assente em ameaças pouco veladas a professores descontentes e em processos judiciais a jornalistas menos respeitosos em relação ao ‘chefe’.
.
Ontem percebeu-se, também, que não é impunemente que se finge governar com muito marketing político mas poucas medidas competentes, com reformas anunciadas mas nunca realizadas.
.
Ontem, Sócrates foi o grande derrotado. Rangel o vencedor indiscutível.
A sorte do ainda primeiro-ministro é que não vai ter o mesmo adversário nas Legislativas.
Carlos Abreu Amorim
in CM

Hoje...O Dia da Reflexão...

Todos gratos...

Estava mesmo a ver-se que o tiro da "roubalheira" do BPN e outros tiros no pé, como o da "bárbara agressão" do 1.º de Maio ou o do "PCP de Direita", iriam sair pela culatra ao "professor de Coimbra, meu Deus!". Vital Moreira bradou (e Ana Gomes re-bradou) que "figuras gradas do PSD" estariam envolvidas na "roubalheira", no "escândalo" e na "vergonha".
.
Afinal, segundo se soube entretanto, parece que há também figuras gradas de outro partido - aquele por que ambos se candidataram - "envolvidas" (o que quer que isso queira dizer). É o que acontece quando se cospe para o ar, o cuspo acaba por cair em cima do cuspidor.
.
Em certas matérias, aconselha o bom senso que nem PS nem PSD se apedrejem, e até um professor de Coimbra, ainda por cima "meu Deus!", deveria saber que não é bom para nenhuma delas as comadres começarem a arrepelar-se uma à outra, pois acabam ambas carecas.
.
Ontem, Sócrates, reconhecendo a carecada do PS, agradeceu a Vital Moreira; os restantes partidos têm também razões para lhe estarem gratos.
Quer a vitória do PSD quer as subidas eleitorais da CDU e do BE lhe ficam a dever muito.
Manuel António Pina
in JN

"A maior votação da história do Bloco"...

No final na noite eleitoral, Francisco Louçã agradeceu aos eleitores que deram ao Bloco a maior votação da sua história.
O líder do Bloco desvalorizou ainda a vitória do PSD, recordando que "com 32%, está muito perto da votação da clamorosa derrota de Pedro Santana Lopes".
Minutos depois, confirmou-se a eleição de Rui Tavares, o 3º deputado europeu do Bloco, que passou a ser a 3ª força política do país.

Eleições Europeias...

.
PSD - 31,7 % - 8 deputados
PS - 26,6 % - 7 deputados
BE - 10,7 % - 3 deputados
CDU - 10,6 % - 2 deputados
CDS/PP - 8,4 % - 2 deputados
ABSTENÇÃO - 62,8 %

sábado, 6 de junio de 2009

Dia 7 é mesmo um dia importante...

Entrámos na última semana de campanha eleitoral para o Parlamento Europeu.
A Europa sempre pareceu um pouco distante dos portugueses e portuguesas.
Uma coisa lá de fora... uma coisa lá de fora que conta muito cá para dentro e muita coisa cá de dentro que também conta lá fora, na Europa.
Por isso, as coisas estão ligadas, e a avaliação das políticas internas também conta no nosso voto europeu.
A primeira coisa que há a dizer sobre esta matéria é recordar quem impediu, apesar de prometer, o referendo ao Tratado de Lisboa.
A segunda coisa é que um tema da actualidade, o BPN, que saltou para a campanha eleitoral e deu origem a uma zanga de comadres e a um diz e desmente dentro do PS e entre o PS e o PSD. O caso BPN, que ainda não chegou ao fim, o BPP e ainda o BCP onde tudo começou é de facto uma "roubalheira", é a evidência da falência da "ética do mercado", coisa que provavelmente nem existe. Mas é preciso dizer tudo e contar a história toda.
O "buraco" de mais de mil milhões de euros tem vindo a ser tapado com o dinheiro dos contribuintes e pela mão do governo do PS. Uns tiraram e outros têm lá posto.
Nesta matéria uma mão não pode lavar a outra.
A terceira coisa é que o próximo dia 7 é mesmo um dia importante onde o voto tem que contar. Se esta crise nos ensina alguma coisa, e tem ensinado, é que é preciso encontrar novas soluções e que nem todos são iguais.
No dia 7 há uma oportunidade de fazer a diferença.
Helena Pinto
in Esquerda.Net