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sábado, 27 de junio de 2009

Em plano inclinado...

A trapalhada (a coisa não tem outro nome) em que o Governo se meteu por causa da intenção da PT de adquirir 30% da Media Capital (dona da TVI) teve ontem o seu mais patético episódio: o primeiro-ministro vetou a operação, por não querer que, como os maldosos vinham dizendo, se pensasse remotamente na possibilidade de o Executivo estar a manobrar no sentido de alterar a linha editorial da estação televisiva, que lhe é agreste.
Isto é: José Sócrates travou, pela força de uma anacrónica "golden share", um negócio entre empresas privadas apenas e só porque isso lhe convém politicamente. Extraordinário.
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Diz o adágio: o que começa mal, tarde ou nunca se endireita. O "caso PT/TVI" mostra bem a veracidade do provérbio popular. De forma espantosa, Sócrates meteu-se num beco sem saída, ao dizer que nada sabia sobre o negócio. Se não sabia, devia saber. Se não sabia, devia pedir explicações aos responsáveis máximos da empresa. Como não o fez, deixou que uma carregada nuvem de suspeições se abatesse sobre o caso.
A estocada final pertenceu ao presidente da República, quando, usando exactamente a mesma expressão escolhida por Manuela Ferreira Leite, pediu "transparência" às partes.
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O que impressiona mais nisto tudo é a circunstância de o Governo vir a somar erro atrás de erro sem que ninguém, incluindo Sócrates, ponha travão à desgraça. Ele foi o despistado ministro da Agricultura a desmentir-se em meia-hora; ele foi a estranha história da Fundação para as Comunicações (que ainda há-de dar muito que falar); ele foi o recuo no TGV....
De repente, o Governo parece ter entrado na fase do plano inclinado, etapa da qual é muito delicado sair, sobretudo quando ela surge logo após uma fragorosa derrota eleitoral.
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Há um mês ninguém no seu perfeito juízo diria que tanta asneira junta seria possível num Governo que se especializou no controlo de danos e na eficácia da mensagem a passar. Mas, enfim, a vida tem destas coisas. E, num instante, parece que estamos de volta ao desastroso Governo de Santana Lopes: tudo parece inconsistente, volátil, efémero e decidido em cima do joelho, em função das circunstância e não da importância.
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Quem beneficia com isto? Antes de mais, o PSD, claro está. A Manuela Ferreira Leite basta-lhe agora ficar quietinha no seu sítio a bater com violência na tecla do endividamento e das obras públicas que nos hipotecam o futuro.
Por este caminho, o Governo tratará de cavar ainda mais o fosso com o eleitorado que mostrou o seu desagrado nas eleições europeias.
Quem diria? Sócrates encontra-se num labirinto. E a cada dia que passa é-lhe mais difícil encontrar a saída.
Paulo Ferreira
in JN

miércoles, 24 de junio de 2009

Sócrates e uma mosca num estúdio de televisão...

Sócrates aceitou que uma suspeita pessoal fosse encarada como um ataque a todo o Governo
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Se uma mosca tivesse irrompido pelos estúdios da SIC durante a entrevista a José Sócrates, será que o primeiro-ministro a teria despachado à pancada com um "toma lá, sacana" ou, pelo contrário, produziria uma ode à mãe natureza a louvar a diversidade dos seres vivos?
Nesta altura do campeonato, eu aposto na ode. Infelizmente, como tão bem explica o dr. House, as pessoas não mudam. Um lobo pode vestir a pele do cordeiro mas continua a gostar de carne.
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Da fama de autoritário e arrogante Sócrates já não se safa - e só mesmo com uma certa candura é que alguém pode achar que o seu principal problema é zangar-se muito e fazer cara de mau.
Eu até sou daqueles que acham que o carácter de um político é o seu mais valioso património. Mais depressa voto em alguém que entendo ter as capacidades e a personalidade certas para o desempenho do cargo de primeiro-ministro do que num qualquer programa eleitoral, por mais atinado e engenhoso que ele seja. Mas também não vale a pena exagerar na dedicação ao timoneiro. O País anda há uma semana a analisar o "novo Sócrates", com profundas reflexões sobre a queda dos decibéis, a milagrosa multiplicação da palavra "humildade" e o seu novo olhar de carneirinho mal morto.
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Mas mesmo que Sócrates pareça um daqueles homens cuja traição acabou de ser descoberta pela mulher e que agora está a fazer tudo para salvar o casamento, reduzir a discussão política a uma inflexão vocal é, digamos assim, um bocadinho redutor.
Quase todos os colunistas atribuíram a derrota de Sócrates à crise e desvalorizaram o impacto dos sucessivos casos em que ele foi sendo envolvido. Não subscrevo tal tese.
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Parece-me evidente que o acumular de trapalhadas lhe provocou um enorme desgaste e que o caso Freeport foi a gota que fez transbordar o copo na cabeça de muita gente.
A sua estratégia de vitimização e pontapé para canto transformou aquilo que antes era encarado como uma qualidade (teimoso e autoritário porque convicto e persistente) num inabalável defeito (teimoso e autoritário porque arrogante e prepotente).
Mais grave do que isso: Sócrates aceitou que uma suspeita pessoal fosse encarada como um ataque a todo o Governo, com vários dos seus ministros - Pedro Silva Pereira e Augusto Santos Silva à cabeça - a saírem em sua defesa de forma canina e completamente desproporcionada.
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A partir daí, claro, a arrogância já não era só de Sócrates - ela estendia-se a todo o Governo. E a sensação de estar apenas rodeado de yes men acentuou-se. Como é evidente, isto é muito mais do que um problema de estilo. Isto é o coração da maneira socrática de fazer política. Mudar de cara, ainda vá. Mas de alma?
João Miguel Tavares
in DN

Anjo feroz...

Não há como uma derrota eleitoral para que os políticos desçam à terra. A aterragem forçada tem efeitos psicológicos devastadores, estando na origem de comportamentos políticos imprevisíveis e, por isso mesmo, surpreendentes.
Quando perdeu as autárquicas de 2001, António Guterres teve uma revelação. Descobriu o pântano, arrumou as malas e foi para casa. Dois anos depois aconteceu a mesma desgraça a Durão Barroso, nas eleições europeias. Com a rapidez que o caracteriza, entendeu os sinais e zarpou para Bruxelas.
O choque com a realidade, ou seja, com a derrota nas urnas, teve um efeito diferente em José Sócrates. Ganhou asas. De animal feroz transformou-se, por artes mágicas, num anjo político. Feroz, mas anjo. Arrependido, humilde, compreensivo. Não há dúvida que a democracia faz milagres. Esta extraordinária mudança levanta uma dúvida: como é que um político pode ser em quatro meses o que não foi em quatro anos? E qual é o verdadeiro? O determinado da primeira fase, ou o arrependido da segunda? Será que entre os dois personagens só há de comum o nome? Os portugueses vão andar baralhados nos próximos tempos.
Esta súbita mudança tem consequências práticas. Já sabíamos que o país estará em campanha eleitoral nos próximos quatro meses. Ficámos agora a saber que, além de parado, o país poderá assistir à revisão de muitas das políticas do actual Governo. Ou seja, entrámos no eleitoralismo puro e simples.
O primeiro sinal foi o adiamento do TGV. Medida acertada. Mas que é tomada, não por convicção mas por táctica. Outra foi o anúncio da morte da avaliação dos professores. Não por arrependimento genuíno, mas porque o PS perdeu o voto dos professores. E é só o princípio. Quatro anos de governação serão atirados para o lixo em quatro meses, em tudo o que for impopular. Alguns ministros desaparecerão do mapa, na impossibilidade de fazer uma remodelação. O Governo será José Sócrates. Até Outubro vai ser uma farra. Depois, ai de quem vier. O país chegará lá exaurido, mais pobre, endividado e sem estratégia. Os sinais são alarmantes, qualquer que seja o indicador que se analise.
O problema dos políticos quando estão no poder é só descobrirem a realidade tarde de mais. Foi assim com Guterres, com Barroso e agora com Sócrates. O problema é que eles vão e o país fica. E fica com os problemas de sempre por resolver.
Luis Marques
in Expresso

martes, 23 de junio de 2009

Pinócrates (Parte I)...

Milagre...

Esta coisa da humildade está a dar resultado. Os comentaristas comentam, os analistas analisam, os entrevistadores entrevistam e…nem uma palavra sobre o Freeport.
O choque e espanto causado ao país pela súbita decisão do primeiro-ministro de passar a ser humilde ofuscou para planos remotos todas as outras questões definidoras de carácter em que ele está envolvido.
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Que interessa o Freeport e Lopes da Mota, a licenciatura e as casas compradas a offshore, os primos e o DVD, quando temos em mão um prodígio que rivaliza com as aparições mais miraculosas? Sócrates teve agora a sua epifania. Foi preciso o pior resultado eleitoral na história do PS para a revelar, mas aí está. Morreu o Animal Feroz, viva o Animal Domesticado.
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Aleluia, que nasceu o novo homem, doce, cordato, simpático, sereno. "Hossana" grita o país em coro, maravilhado com o testemunho de humildade franciscana que agora transborda das suas comunicações e que, qual aura de beatitude, se está a alastrar, comunicando-se a fiéis e a infiéis, a jornalistas e políticos. Santos Silva, Silva Pereira e Luís Paixão Martins olham-no embevecidos e murmuram: "É tão humilde, não é?".
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Do sector privado ao público, do gentio da fértil OTA aos nómadas de Alcochete, todos dão graças como no "Sermão da montanha"; "Bem-aventurados os mansos pois herdarão a terra" ouve-se em coro quando o povo sobressaltado vê que o Animal Feroz partiu e em seu lugar serpenteia a mansidão dialogante. Estava tudo previsto. Foi inspiração súbita que levou os técnicos da assessoria de imagem a ter o ímpeto de correr para o Antigo Testamento e parar, siderados, em Isaías 65:25 onde se lê claramente: "E o lobo e o cordeiro pastarão juntos (em longas entrevistas, subentende-se) e o leão comerá palha como o jumento e (subentende-se) não haverá mais cenas embaraçosas".
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Nem no Parlamento. Nem à saída da Comissão Política. Nem quando o mais humilde dos repórteres abordar o novo José Sócrates e lhe perguntar se o haver mais um arguido no seu staff próximo é mau para ele, e o novo Sócrates, sorrindo docemente, responder: "Desculpe. Ser arguido é bom. Eu acho que todo o meu staff devia ser arguido." De facto, a diferença é tão abissal que já nem precisamos de eleições. Já mudámos de governante. Ou melhor ainda. O governante mudou-se a si mesmo. Acabou-se o vociferante Orlando Furioso de Ariosto, destruído em autocombustão purificadora entre frémitos coléricos no Parlamento e estertores catárticos em estúdios de TV. Ficou-nos o Orlando Enamorato de Boiardo, suave, sério, intenso e sempre, sempre, terno.
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Como é que podemos cometer o sacrilégio de ir buscar as turvas águas do sapal de Alcochete para enlamear o renascimento? Os vendilhões já foram escorraçados do templo. Fica-nos a nova era e a nova imagem que vai ser construída por santos profetas milagreiros, que já produziram santos milagres em África, onde Santos, em poucos dias e alguns milhões de petrodólares e gemas de sangue, passou de ditador a santificado líder eleito. Se conseguiram fazer isto, convencendo os africanos junto ao Equador que era preciso usar um grosso cachecol de lã com as cores do MPLA em pleno Verão Austral, como é que não hão-de convencer os portugueses a quem a fé nunca faltou nesta terra de prodígios?
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Ontem foi em Fátima, hoje é na Comissão Política do PS e nas Novas Fronteiras e em Portugal, sempre houve crentes e crédulos.
Mário Crespo
in JN

Sócrates em Fátima...

Veio agora a lume, que o engenheiro se deslocou a Fátima no dia 13 de maio, e bem acompanhado, para pedir à virgem a maioria absoluta, que se lhe escapa...

lunes, 22 de junio de 2009

Sócrates...O Humilde...

O engenheiro furioso com a Comunicação Social....

Sócrates...Um erro fatal....

Não sei quem convenceu Sócrates a esta mudança de registo mas parece-me claro que este pode ter sido o seu último grande erro.
Com Agosto à porta, sem tempo para convencer novos apoiantes, incapaz de seduzir os que dele não gostavam, corre agora um sério risco em alienar os que ainda apreciavam o estilo.
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Ainda não sei qual era o sentimento dos que se deslocaram ao último evento de propaganda mas imagino que entre as hostes socialistas já se planeie a sucessão de Sócrates, o antigo e o novo.
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O que resta a Sócrates fazer? Pouca coisa e mesmo assim com resultados muito incertos.
Manuela Ferreira Leite poderá, agora sim, valer-se de algum silêncio apenas interrompido pela apresentação pontual de soluções que julge necessárias apresentar ao país e evitando qualquer diálogo, reduzindo os debates a um mínimo protocolar e obrigando Sócrates a adivinhar o que terá agora de prometer depois de nada ter cumprido.
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Algures em Setembro será claro para todos se quando Sócrates fala ainda alguém o ouve para além dos indefectiveis do partido e se esse "clique" tiver tido lugar, a escolha só poderá ser uma: Votar no PSD em número que lhe possibilite lidar com uma oposição de extrema-esquerda que se encarregará de discutir entre eles os despojos do cadáver socialista.
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Se assim não for, se por alguma razão, o PS ainda estiver em condições de vencer as eleições não o conseguirá fazer sem ser em condições tão frageis que poderão condenar o mesmo a um fim prematuro.
in 31 da Armada

O menino de ouro da SIC...

E, ao décimo dia após a derrota nas "europeias", o "animal feroz" transformou-se num cachorrinho alimentado a Xanax.
O eng. Sócrates surgiu na SIC a conversar docemente com uma jornalista da casa, tão doce como ele.
O exercício, que durou espantosos cinquenta minutos, pretendia ser uma demonstração de modéstia, ou a prova de que o primeiro-ministro, à semelhança da lua, possui uma face oculta, e que, à semelhança de Guterres, a face é meiga.
Na verdade, a "entrevista" constituiu uma das páginas mais embaraçosas da nossa já não excessivamente solene democracia. Não tanto para o espectador, que com risinhos e sonolência lá sobreviveu àquilo: para o eng. Sócrates, que pode não ter sobrevivido.
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Modéstia, afinal, não houve nenhuma. Salvo pormenores "formais" (a "burocracia" na avaliação dos professores, por exemplo), o eng. Sócrates reconheceu um único "erro": o parco apoio à "cultura", na presunção convicta ou simulada de que um punhado de filmes e peças por subsidiar é fonte de angústia colectiva. De resto, desfiou a propaganda do costume: reformas (?), progresso científico (?), redenção do ensino (?), crescimento económico (?), criação de emprego (?), controlo das contas públicas (toldado pela malvada "crise internacional", a maior dos últimos cem, mil ou dez mil anos, não me lembro), benefícios do investimento estatal, energias "renováveis", Magalhães, etc.
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No final, confessou-se assaz contente consigo e com a sua "mundividência". Para o futuro, conta com o "país moderno", que "quer andar para a frente" e que "não se deixa abater". Não conta, presume-se, com a chusma de pessimistas retrógrados que não apreciam as maravilhas que o Governo faz por eles.
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Embora embrulhada no tom intimista dos programas nocturnos de rádio, trata-se da lengalenga de sempre e do eng. Sócrates de sempre, um homem curiosamente obcecado com ele mesmo e curiosamente convencido da própria importância. Convém moderar as comparações com Guterres. O assustadiço Guterres fugiu ao perceber que percebêramos o buraco em que nos meteu. O eng. Sócrates nunca abdicaria voluntariamente do poder. No máximo, abdica da imagem com que o desempenhou durante quatro anos, trocando a velha arrogância (ou "firmeza") pela dissimulação (ou "humildade").
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O pressuposto é o de que a governação se define através das aparências, ou do "estilo", e que um novo "estilo" fatalmente conduzirá os eleitores a uma nova avaliação da governação. Pelo menos é isto o que vai nas cabeças dos estrategas e conselheiros do eng. Sócrates. A propósito, quanto ganha essa gente? Seja o que for, é demasiado.
Se o eng. Sócrates não o enxerga sozinho, era aconselhável rodear-se por quem o alertasse para o perigoso ridículo da manobra.
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Não foi só a inépcia do seu Governo que custou ao PS as "europeias", sobretudo contra um PSD vago nas propostas e insondável enquanto alternativa. A derrota socialista deveu-se principalmente ao carácter "plástico" do líder, um holograma ruidoso que cansou os cidadãos e contrasta com a discrição quase patológica mas "humana" de Manuela Ferreira Leite. Supondo que alguém a viu, a plástica "entrevista" à SIC apenas terá aumentado o cansaço e o contraste.
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Dividido entre não poder ser quem é e não conseguir ser quem não é, o eng. Sócrates encontra-se num aperto. Excepto se os portugueses acreditarem de facto nas proezas da cosmética, e os abstencionistas que o primeiro-ministro procura seduzir corresponderem à definição que o dr. César dos Açores lhes aplicou: uma multidão de estúpidos.
in DN

sábado, 20 de junio de 2009

O animal ferido...

Depois das europeias e com a maioria em risco, o animal feroz é hoje um animal ferido. Basta olhar para a telenovela TGV. O projecto era fundamental para o futuro do País? Com certeza. Mas Sócrates não tenciona perturbar os portugueses nas vésperas das eleições. Depois das eleições, o novo Governo que decida.
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As palavras de Sócrates podem agradar à Oposição e ao Presidente da República. Podem até agradar ao próprio Sócrates, que assim acredita afastar o tema da campanha eleitoral. Tristes enganos.
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O gesto de Sócrates mostra apenas um político receoso, disposto a trocar as suas convicções pelas mais básicas ambições. E, ironia maior, revela também a inépcia estratégica do senhor: ao adiar o TGV para adiar um problema, Sócrates apenas o torna mais gritante. A partir de agora, votar Sócrates é votar no TGV.
A campanha segue dentro de momentos.
João Pereira Coutinho
in CM

Sócrates...O Amigo do Povo...

Sócrates conversa em família, humilde...

Quinta-feira
Dia longo para o camarada Sócrates. Matinée na AR, onde meteu no bolso Aguiar Branco com uma pinta como há muito se não via, e desmontou a táctica de Portas em querer ser líder da oposição por uma tarde. Mesmo a dramatização de Louçã indo buscar uma lei que permite o trabalho infantil cheirou a rasteira.
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O engenheiro manteve-se mais ou menos no seu novo papel de político amigo do utilizador e teve toda a paciência do Mundo para tentar explicar à noite na SIC aos portugueses as virtudes de um governo que pelos vistos está mais desgastado do que uma novela pífia em horário nobre.
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Claro que a entrevista à doce Ana Lourenço mais parecia uma Conversa em Família dos Tempos modernos e os desempregados aflitos e as empresas à beira do afogamento não devem ter tido a mais pequena tolerância para um Primeiro que nem falou nos casos mais dramáticos da actualidade portuguesa.
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Sócrates levanta-se a anda. Mas quando Rangel aparece a oposição ganha alguma credibilidade.
O problema é que no PSD os barões já espumam com o ganhador de Domingo e com todos à espera do poder, Sócrates ainda vai ganhar.
Deixem vir a praia, o verão, e Outubro será o mês do regresso do Humilde.
in Blog O Instante Fatal
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A Entrevista

viernes, 19 de junio de 2009

Sócrates, o humilde...

José Sócrates enfrenta o dilema clássico: ser ou não ser, eis a questão. Deve o primeiro-ministro continuar a trilhar o caminho da arrogância e do autoritarismo? Ou deve moderar a sua encantadora personalidade e apresentar-se ao País como a Madre Teresa do Largo do Rato?
Em entrevista à SIC, Sócrates já respondeu.
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Se a ideia é reconquistar a maioria, Sócrates não se importa de vender uma humildade que comove.
Acontece que a estratégia tem dois problemas: com férias pelo meio, será difícil a Sócrates apagar em dois meses o que andou a cultivar durante quatro anos. E, adicionalmente, os portugueses não parecem dispostos a comprar a encenação, que obviamente fede a hipocrisia.
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Ao pretender ser o que não é, Sócrates arrisca-se a parecer o que não pode: um oportunista que muda de pele ao sabor das circunstâncias.
João Pereira Coutinho
in CM

10 DE JUNHO: SÓCRATES COM MUITA AZIA EM SANTARÉM...

Há dias assim. José Sócrates levou com as Europeias a 7 de Junho e três dias depois assistiu, calado como um rato, às cerimónias do 10 de Junho em Santarém. Ainda com a derrota eleitoral a dar-lhe uma volta ao estômago, o primeiro-ministro levou com os discursos de António Barreto e Cavaco Silva em cima da cabeça. É óbvio que ficou com uma azia tremenda.
E só com uns copos de tinto o líder do PS recuperou o sorriso no fim do almoço.

NUM PRATO A CABEÇA DO SR. SOCRÁTES!...

O ex-estranho sr. Sócrates, arruinado completamente pelos cadernos eleitorais, apareceu no mercado da SIC (diante da doce Ana) com uma naturalidade humilíssima (estilisticamente falando), uma castidade na oratória política afinada, numa elegante comédia farcista.
O libelo do sr. Sócrates esta noite foi desarmonizar com o sr. Santos Silva, Vitalino Canas & Cia, Lda. Não fora o atrevimento de "censurar" a mediocridade da política de instrução e ensino da sra. Lurdes Rodrigues (agora, vilmente desprezada); não obstante descobrir muito tarde a licenciosa kultura do sr. António Pinto Ribeiro (no que foi de uma crueldade obscena) e a sua absurda, quanto ridícula, inspiração de comparar (a ignorância é mesmo muito atrevida) o construído do autor da General Theory of Employment, Interest and Money à edificação económica em Oliveira Salazar, quase que o conseguia!
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O sr. Sócrates foi durante quatro anos o inimigo principal do Partido Socialista de Soares, Guterres e Ferro Rodrigues. Tomando como empréstimo (ou mesmo, superando) a linha política da 3ª via de Blair e Schroeder (leia-se o texto no Público de Ana Benavente) - e o que isso significou no alinhamento da politica doméstica com a ilusão neoliberal -, cedendo à fascinação deste tempo de desassossego, incompetência e decomposição das liberdades, o sr. Sócrates conduziu o país (com um grupo inqualificável de idiotas úteis) à quase ruína.
Está o país numa decadência económica e social (e espiritual) sem precedentes, e não tem gente nem ânimo, nem alma para a sua própria refundação. Nunca foi tão acertado dizer que o eterno problema de Portugal é as suas próprias elites. Estas, sim, a necessitarem de uma verdadeira reforma democrática, económica, cultural e cívica. Mas tal trânsito tarda!
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O sr. Sócrates foi durante quatro anos rancoroso com os adversários, grosseiro no contraditório, ignorante nos argumentos, afrontoso com as classes profissionais. O seu cabriolar, pouco subtil e sem escrúpulos, o seu (por ora) putativo desagravo à canalha, a sua autoridade ou carta de democrata tem uma reduzidíssima dignidade.
Ninguém que foi caluniado tanto tempo, ninguém que foi tão rudemente maltratado, esquecerá o que foram estes anos de cárcere governamental do sr. Sócrates & amigos. Para tal mudança exige-se a cabeça do sr. Sócrates e daqueles que com ele (e foram muitos, de políticos a colunistas, de empresários a jornaleiros) semearam tais infaustos ventos.
Não será qualquer desculpa feita por um "explicador de província" (prof. Maltez, dixit) que tudo mudará. Talis vita, finis ita.
in Blog Almocreve das Petas

CHAMAVAM-LHE JAMAIS E DEIXOU O TGV NO APEADEIRO...

Percebe-se que Sócrates entrou em desnorte.
A ideia de que era um duro já se tinha há muito dissipado, agora com a derrota humilhante veio à tona a imagem de um político fragilizado, indeciso, incoerente, um líder que dirige o rebanho ao sabor do vento, um timoneiro que só já consegue navegar com costa à vista.
O recuo sobre a decisão do TGV é a gota de água.
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Na segunda Lino tentava pressionar Cavaco no sentido de ele ter de acabar por dar o ok ao inicio do processo do TGV, mas terça era o mesmo Lino que vinha dar aos jornais mais amigos do PS (DN e i) a grande manchete de que afinal o TGV ia ficar para já parado no apeadeiro.
O homem das obras por fazer tem azar e tem um jeito especial para falar tarde e já fora de tempo, ou fala muito antes do tempo. O nosso Jamais aí está com mais uma gaffe histórica.
Claro, que deve ter havido um aviso de Belém.
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Se o governo teimasse em avançar o comboio contra tudo e contra todos o nosso agulheiro iria fazê-lo parar desse lá para onde desse. Para não comprar mais uma guerra com o PR e sair derrotado, o engenheiro acabou por recuar o comboio. Ele que era o cowboy dos duros acabou com o duro dos comboios.
Duro mesmo só Durão (que agora é Barroso), o único portuga ao lado de Ronaldo que continua em alta e de quem no estrangeiro ainda se sabe o nome.
Percebemos que isto vai entrar tudo em câmara lenta. Eu diria: vamos ficar com o país em câmara ardente durante o verão.
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A malta está ansiosa por receber o subsidio de férias (aqueles que ainda têm essa regalia social), os desempregados respiram porque ainda vai haver um dinheirito para a praia, os reformados e os funcionários públicos têm o deles garantido, sem a corrosão da inflação, e Sócrates vai refrear a cabeça numa praia longe da multidão e, reza ele, dos paparazzis portugueses- que são tão incompetentes que nem vão perceber que o Primeiro vai andar por aí, não longe porque há que manter os alertas vigilantes.
Os professores com um bocado de pressão ainda conseguem anular as classificações (ou não conseguiram já?) e a partir de agora é tudo à vontade do povo.
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Estas atitudes repetem-se sempre nos arrogantes de meia tigela, naqueles que não têm convicções, nem programas, nem rigor. O que mais marca este governo é essa falta de acreditar, a fobia pelo marketing, a politiquice aprendida nos manuais (?) rascas da televisão populista.Isto é o governo, mas o país não é diferente.
Por isso, talvez Sócrates ainda consiga uma vitoriazita para um governozito, para um tempito, para depois se retirar demissionário e mártir.
in Blog Instante Fatal

jueves, 18 de junio de 2009

Deixem-se de tretas...

Uns dizem que Sócrates deve virar ao centro para vencer as Legislativas. Outros alegam que existe o risco de as perder à esquerda.
Há quem jure que a fé intervencionista que o Governo apregoou no último ano assustou os eleitores mais moderados. Mas persiste quem defenda que se deve dar mais atenção aos avisos da Alegre ‘Cassandra’ do PS.
A três meses de eleições, não vale a pena discutir ideologias – até porque Sócrates não faz a menor ideia do que isso seja.
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Sócrates irá fazer aquilo que sempre fez como político: vai virar à esquerda, ao centro, à direita, para Leste e para Oeste, vai prometer tudo e o seu contrário, vai subsidiar sem pudor gregos e troianos, pouco preocupado com os pruridos ideológicos dos cenaristas que não fazem parte do seu clube de fãs.
Carlos Abreu Amorim
in CM