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jueves, 21 de mayo de 2009

Números falsos ou o descaramento de Sócrates...

A notícia de que 15 mil registos de desempregados terão sido temporariamente apagados das listas do Instituto do Emprego e Formação Profissional é grave. É grave porque evidencia duas verdades que se vinham já intuindo:
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(1) os números do desemprego atingem patamares muito mais significativos do que aqueles que o PM admite e (2) o governo PS, sem pejo nenhum, no que diz respeito ao maior problema que o país enfrenta, mente descaradamente aos portugueses.
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O facto de os números do desemprego estarem subavaliados pelo governo PS não se trata, em si, de uma novidade. Aparte do facto de do cruzamento de dados entre o IEFP e o INE brotarem frequentes discrepâncias, sabemos que nenhuma contabilidade efectiva do número de desempregados pode ser feita sem que sejam incluídos os desempregados de longa duração, aqueles que já não têm acesso a subsídio de desemprego nem a subsídio social de desemprego.
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Outros indicadores são também úteis na avaliação da dimensão do assunto: o aumento exponencial, durante os últimos meses, do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, que são já mais de 350 mil, demonstra-nos que os homens e as mulheres em situação de pobreza e desamparo, sem trabalho, é cada vez maior.
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O país sabe, porque, como diz o outro, só não vê quem não quer, que o drama do desemprego ultrapassa em muito os cerca de 495 mil que Sócrates reconhece. O país não se surpreende, quando, tendo sido tornado publico que o caso dos 15 mil não se tratou de um acontecimento isolado, mas sim de uma prática sistemática de manipulação de dados apadrinhada pelo governo, se vê, claramente vista, mais uma mentira flagrante do PS de Sócrates.
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Sócrates mente porque não quer admitir que não tem soluções. Não tem soluções para a questão do desemprego nem para a profundidade que a crise social tem vindo assumir. Não tem respostas porque não tem coragem. Não tem coragem de mudar de rumo.
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Enquanto a lógica de Sócrates for a da precarização das condições laborais, da privatizações dos serviços públicos, do concubinato com os interesses parasitários dos grandes banqueiros e da alta finança, o objectivo e a função da esquerda progressista será o da construção de uma maioria social e de uma alternativa programática, credível e de confiança, assente nos pressupostos da justiça económica e da justiça social.
Enquanto houver Sócrates o voto à esquerda será não apenas útil, mas também necessário.
Natasha Nunes
in Esquerda.Net

lunes, 11 de mayo de 2009

A mentira de Dias Loureiro...

O Expresso colocou em 'manchete' há três meses que Dias Loureiro tinha mentido à Comissão Parlamentar de Inquérito. Agora, veio ele dizer que não mentiu, apenas se esqueceu. Acreditaremos?
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Conheço Dias Loureiro, acho-o um homem muito simpático e encantador. Quero crer que o que fez terá sido sem consciência de estar a prejudicar alguém. Mas estas considerações pessoais não vêm propriamente ao caso.
O que vem ao caso é o facto de Dias Loureiro ter afirmado que nunca mentiu à Comissão Parlamentar de Inquérito.
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Como se sabe, afirmámos que ele mentiu numa manchete do Expresso, no dia 14 de Fevereiro. Não o fizemos de ânimo leve; discutimos demoradamente se teríamos provas suficientes para o escrever e acabámos por optar por esse título, uma vez que as provas eram concludentes.
Na primeira audição, Dias Loureiro disse que nunca tinha ouvido falar de um Fundo (o Excellence Assets Fund) de que há documentos por ele assinados e referiu que tinha participado remotamente num negócio de que afinal foi figura central. Não se tratou de um lapso de memória. Foi uma negação absoluta.
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Loureiro começou por contar que teve apenas uma participação muito ténue num negócio ruinoso em Porto Rico: "Quanto ao negócio em si não tive nada a ver com ele" - disse. Mas esta semana, três meses depois de o Expresso ter feito referência aos documentos que o envolvem, o conselheiro de Estado reformulou totalmente a sua participação. Desta vez, confirmou o que já era óbvio e estava provado: que teve intervenção no início do negócio e que participou no seu desfecho. Quanto ao resto, diz agora que assinou de cruz.
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Por isso, quando Dias Loureiro se afirma indignado com as acusações de ter mentido, devia ter um pouco mais de humildade.
Na verdade, ele mentiu.
Nos dicionários, mentir é ser falso, é enganar, faltar à verdade, e isso Dias Loureiro fê-lo - sem qualquer dúvida, confirmado pelo próprio.
Pode argumentar que o fez inadvertidamente, sem consciência, por mero esquecimento. Mas - e Deus me perdoe se estou errado - mesmo disso eu duvido.
A menos que Loureiro tenha ido da primeira vez à Comissão como quem vai para uma esplanada beber café, sem se ter preparado, o que seria deveras surpreendente. Sem ter feito, nos dias anteriores, um esforço para se recordar dos factos.
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A menos, também, que se acredite que ele assina de cruz papéis que valem cerca de 70 milhões de dólares. Por amor de Deus! Mas alguém crê que um homem com a sua preparação chega a este cúmulo de irresponsabilidade? Eu não!
Lamento profundamente escrever estas linhas. Não me agrada acusar ninguém. E até gosto de Dias Loureiro, mas gosto muito mais da verdade!
Henrique Monteiro
in Expresso