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sábado, 27 de junio de 2009

O fado de todos nós...

José Sócrates continua o "animal feroz" que disse ser, ou é o "português suave", agora investido? O comoventíssimo problema tem queimado as meninges dos augustos comentadores da política nacional. Está mais sereno, está mais humilde, está mais modesto e menos arrogante - disse-se e escreveu-se. Há duas semanas que esta gente tem agido segundo os princípios de um pensamento feito de frivolidades e de absurdos; e o próprio primeiro-ministro, tão reservado em assuntos realmente graves, não resistiu à tentação da irresponsabilidade e respondeu-lhes. Não há prova histórica da mudança: "Eu sou o mesmo" e "não mudo de rumo". Parece um fado e, se calhar - "Chorai guitarras, chorai" -, é o nosso próprio e redondo destino.
Estas minudências são o retrato oval de uma democracia de superfície, que nos incita à renúncia de pensar. Eis o que nos sussurram: as coisas são como são, e deixem a política para os políticos. Não é bem assim. Há muitos anos, conversando com o saudoso prof. Pereira de Moura, disse-lhe, a páginas tantas, que não percebia nada de economia. Respondeu-me: "Mas sabe a tua mulher quando vai à praça."
A três meses de eleições fulcrais vivemos numa farsa sem graça e numa história aos quadradinhos. Pacheco Pereira demonstra a calamitosa ausência de humor que o caracteriza, e espirra-canivetes quando Luís Filipe Menezes lhe chama "a loira do PSD", numa analogia (ou metáfora?) experimental e divertida. Menezes tem sido o alvo privilegiado do Pacheco, mas aquele é muito melhor, mais inteligente e culto do que a maioria dos que este tem apoiado e incensado.
Fogo-de-artifício. É só. Nada do que é importante tem sido debatido, porque a estratégia é impedir-nos de pensar e de agir. Quando a dr.ª Manuela Ferreira Leite aplaude o "manifesto" de 28 economistas (alguns não o são, nem coisa que se pareça), reivindicando o conteúdo do documento como se de ideias suas e antigas se tratasse, a natureza profunda da iniciativa fica destapada. É um texto de abolição, uma birra de gente, certamente estimável, mas com pouco para dizer. De qualquer das formas, o documento não corporiza o antagonismo que pretende representar, além de não indicar, não sugerir, não propor: somente protesta. Para protestar, os 28 são inúteis. Para isso, cá estamos nós. Vamos à praça e contamos os tostões. Não me parece que os signatários estejam em baixo de fundos, e muito menos que foram, unânime e piedosamente, movidos por um escaldante amor ao povo.
Todo este folclore não é cândido. O que está em causa é irresumível nessa espécie de competição de caracteres entre Sócrates e Manuela.
Baptista-Bastos
in DN

martes, 9 de junio de 2009

A segunda vida de Manuela Ferreira Leite...

Sobre o PSD. Estão a ver aqueles jogos de computador onde a energia do herói vai diminuindo à medida que leva pancada dos adversários?
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Assim estava Manuel Ferreira Leite: 5% de energia, luz vermelha a piscar, cercada de inimigos, game over à vista. E eis que no último momento saca da cartola um daqueles suplementos vitamínicos que repõem a marca nos 100, ganhando um novo alento para chegar ao próximo nível. Paulo Rangel foi uma escolha pessoal sua, contra quase todo o partido e perante a surpresa da comunicação social. Mérito seu - e, sobretudo, um golpe de asa que ninguém desconfiava que Ferreira Leite pudesse ter.
Há quem nasça um bom líder e há quem se torne um bom líder. Boa líder, ela manifestamente não nasceu. A noite de domingo deu-lhe o tempo que precisava para demonstrar que se pode tornar uma. Pedro Passos Coelho deve estar tão triste quanto Vital Moreira.
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Sobre o PS. Ainda a noite ia no início quando Mário Lino saiu do Hotel Altis. Para afastar os repórteres de televisão, disse que só ia ao carro buscar tabaco. Nunca mais se lhe ouviu palavra. Este sair para comprar cigarros e desaparecer no escuro é sintomático do estado em que o PS ficou na noite de domingo. Vital Moreira foi um desastre como candidato e teve o que mereceu. A sua derrota demonstra também que não é a máquina partidária e os comícios cheios que hoje em dia empurram quem quer que seja para a vitória.
Quanto a José Sócrates, a queda foi estrondosa, mas justiça lhe seja feita: na hora da derrota deu a cara, não se desculpou, prometeu luta e esteve ao lado do seu candidato. Comportou-se como um homem.
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Sobre o bloco central. Desde 1985, quando surgiu o fenómeno PRD, que a soma de PS e PSD não caía claramente abaixo dos 60% numas eleições em Portugal. Esta fragmentação do espectro partidário já anda por aí a assustar os profetas da "governabilidade". Tendo em conta que já vamos em 20 anos de "governabilidade", limito-me a perguntar: aproximámo-nos da Europa? Desenvolvemo-nos como devíamos? Ganhámos com isso? A governabilidade está muito sobrevalorizada.
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Sobre o fim do capitalismo. Mário Soares deve estar um pouco confuso. Então não era suposto que a crise demonstrasse a falência dos partidos da direita, alegados representantes do neoliberalismo selvagem que conduziu o mundo ao estado em que estamos? Pelos vistos, o povo europeu é louco: confia mais na direita do que na esquerda para o tirar da crise. Soares tem aqui matéria para mais uns artigos.
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Sobre as sondagens. Já nem as noites eleitorais escapam às teorias da conspiração. Segundo o CDS, as sondagens pré-eleitorais não se enganam - as sondagens pré-eleitorais conspiram. Por todos os santinhos: mais cabalas, não.
joão Miguel Tavares
in DN

miércoles, 20 de mayo de 2009

Manuela F. Leite...Verdade e consequência...

Na entrevista que concedeu, no passado fim-de-semana, ao diário "Público" e à Rádio Renascença, Manuela Ferreira Leite apresentou-se com um novo "look": mais modernaça na indumentária, mais solta, menos rígida, com um discurso mais fluente, menos ríspida nas respostas.
Bom sinal: a líder do PSD apreendeu com os tremendos erros de comunicação que os seus mais directos conselheiros lhe impingiram, propositadamente ou não, no início da empreitada.
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Durante a conversa com os jornalistas Manuela Ferreira Leite deixou no ar uma pergunta de enorme relevância que passou praticamente despercebida. A dada altura, questionada sobre os investimentos anunciados pelo Governo para ultrapassar a crise, a líder social-democrata disse o seguinte (cito para evitar interpretações dúbias):
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"É estranho que o Governo tenha anunciado tantas medidas, tantos milhões que vão surgindo sem necessidade de fazer um orçamento rectificativo. O orçamento não estava preparado para este tipo de medidas, logo, se elas estão a surgir, quer dizer que não estão a sair do orçamento, se não ele tinha que ser corrigido. Portanto, são capazes de estar a sair da Segurança Social. Se for isso que está a acontecer, pode-se violar o princípio da relação de confiança com os cidadãos se não se lhes assegurar uma pensão na sua velhice. Tal seria dramático.
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Portanto: Manuela Ferreira acha (ou, no mínimo, desconfia) que o Governo nos anda a enganar a todos e, simultaneamente, a hipotecar a reforma dos cidadãos portugueses. Que o Executivo de José Sócrates tenha deixado passar em claro tamanha pancada pode revelar uma de duas coisas: distracção (hipótese muito pouco credível) ou interesse em deixar que o vento leve, rapidamente e em força, as palavras de Manuela Ferreira Leite.
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Convinha sabermos tudo o que há para saber sobre esta matéria. Porque das duas uma: ou o que Ferreira Leite diz é verdade e é grave, ou é mentira - e aí passamos a ter o direito de não dar grande crédito ao que diz a líder do PSD. Haja quem nos esclareça.
Paulo Ferreira
in JN

domingo, 19 de abril de 2009

Quem fala assim, não é Gago...

O ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes considera que “há pessoas no PSD que querem que Ferreira Leite tenha um mau resultado” e que estão a preparar a sua sucessão, ao mesmo tempo que a tentam “empurrar pela janela fora”.
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Em entrevista ao programa “Discurso Directo”, da TSF e “Diário de Notícias”, o social-democrata defendeu, ainda, que “a crise é o biombo com que Sócrates esconde os erros de governação”.
in Público

O Projecto de Manuela Ferreira Leite para os portugueses...