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lunes, 15 de junio de 2009

As eleições, o "mata mata" e Manuela Moura Guedes...

Na semana passada, grande parte dos comentadores destas crónicas não debateu o que era proposto, tendo deslocado os argumentos para uma espécie de referendo sobre a figura de Manuela Moura Guedes. A questão que se pretendia debater era esta: em muitas condenações públicas, o que está em causa não é tanto a figura que suscita o 'ódio', mas sempre uma ferida maior, de que essa figura (o exemplo dado era o de Manuela Moura Guedes) se torna moeda de troca ou imagem. Em vez de comentar esta ideia, que me parece simples, os muitos comentários à minha crónica preferiram o 'bate bate' ou, relembrando um famoso gaúcho, o "mata mata". Acontece aos melhores.
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O que se passou há oito dias, nesta singela coluna, é o que se passa em muitas eleições. Mais do que aceitar a substância dos desafios propostos - no caso mais recente, acerca de questões eminentemente europeias -, os eleitores preferem geralmente castigar, protestar, esquematizar e ajustar posições. É um modo de agir razoável, legítimo e compreensível. E, sobretudo, livre. No entanto, este pressuposto não é apenas apanágio dos eleitores; é-o também dos partidos.
Ou seja, se Manuela Moura Guedes, na minha crónica anterior, funcionou como bode expiatório para uma secreta fúria fantasmática (por aprofundar), nas recentes eleições europeias foi o PS que assumiu esse papel de (desejado) tiro ao boneco.
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Que circunstâncias tão únicas terão ocorrido para que o PS passasse a ser moeda de troca, ou imagem, de uma tal (e mais do que legítima) fúria eleitoral? Não, não foi apenas a crise dos mercados. Nem tão-só o lago azulado do Freeport de Alcochete. O que gerou, no imediato, a fúria foi outra coisa.
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Essa outra coisa germinou num comício realizado em Évora. Foi nesse momento da campanha eleitoral que Vital Moreira iniciou a redutora estratégia de implicação BPN-PSD e que Capoulas Santos chegou a perguntar aos presentes: "Vamos entregar a governação a essa trupe?" (leia-se: ao 'pacto' BPN-PSD). A semente foi assim atirada à terra e acabou por gerar frutos porventura inesperados.
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Não é difícil entender que os socialistas tenham tentado exorcizar outras "campanhas negras" e antigas "cabalas" - recorrendo ao seu próprio vocabulário - com este desafio estratégico, mas o dislate que daí emergiu acabou por ditar o sentido reparador do voto: um castigo exemplar sem ligação directa - reconheçamo-lo, já agora, francamente - com os temas capitais da eleição europeia.
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O PSD foi um justo vencedor no passado domingo. Foi-o pela percepção de esgotamento das campanhas tradicionais. E foi-o, também, pela exaustão do "mata mata" socialista - esse derrame quase inquisitório a que as pessoas facilmente recorrem, mas de que, no fundo, não gostam. O voto nestas eleições foi particularmente livre, mesmo cruel.
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Repare-se que os votos brancos e nulos - um novíssimo clímax da nossa tradição eleitoral - corresponderam, como nunca antes acontecera, a uma rara determinação de muitos eleitores. Pode dizer-se que um novo partido sem rosto e sem nome apareceu na cena eleitoral para baralhar todas as sondagens e o próprio espírito "mata mata" do nosso esclarecido povo.
Pelo meu lado, desenhei no boletim de voto um traço vertical por cima dos vários campos e quadradinhos. Uma linha recta que podia condensar o universo inteiro. Uma verdadeira obra de arte. Podem crer.
Luís Carmelo
in Expresso

miércoles, 27 de mayo de 2009

Quem tem medo de Manuela Moura Guedes?...

A peixeirada entre Manuela Moura Guedes e António Marinho Pinto não foi um momento edificante, é certo. Mas convinha que ela não fosse aproveitada para alimentar o desejo mal escondido de muito boa gente: acabar de vez com o Jornal Nacional de sexta-feira e enviar Moura Guedes de volta para a prateleira da TVI.
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Os defensores do Portugal compostinho certamente aplaudiriam a decisão, com o argumento de que "aquilo não é jornalismo". Só que o País ficaria a perder. Porque apesar do sensacionalismo e da ocasional falta de rigor do seu Jornal Nacional - que deve ser apontado quando ocorre, se necessário aos gritos, como fez Marinho Pinto -, há ali um desejo de incomodar, de denunciar, de escarafunchar, de meter o nariz nos podres do poder que a comunicação social portuguesa precisa como de pão para a boca.
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Manuela Moura Guedes não é a pivot com que eu mais gosto de acompanhar o jantar. No entanto, ainda sei distinguir o estilo do conteúdo. O facto de ela despejar o frasco da demagogia por cima de todos os textos que lançam as peças, sempre com aquele tonzinho de "isto é tudo uma corja", não significa que as notícias do Jornal Nacional, em si, não sejam relevantes. Hoje em dia nós aguardamos pelo telejornal de Moura Guedes como no tempo do cavaquismo aguardávamos pelo Independente.
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Ora, esse "deixa cá ver de que forma é que eles vão estragar o fim-de-semana ao primeiro-ministro" é de uma enorme importância num país como Portugal, cuja cultura democrática está ligeiramente acima da da Venezuela e o Governo tem um poder absolutamente excessivo sobre as nossas vidas.
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Dir-me-ão que aquilo é desequilibrado e injusto. Muitas vezes, sim. Tal como o Independente. E para dirimir os excessos existem tribunais. O próprio Independente foi condenado em vários processos - mas o seu papel foi inestimável. É que o que está em causa não é a nossa identificação com aquele tipo de noticiário. É, isso sim, a defesa da sua existência num país onde o primeiro-ministro diz que um dia feliz é um dia em que o seu nome não sai nos jornais, lapso freudiano bem revelador do seu desejo de silenciar.
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As intervenções histriónicas de Manuela Moura Guedes estão à vista de todos, e por isso ela está sujeita a ser criticada da mesma forma que critica. O que não está à vista de todos - e por isso é bastante mais perverso - são os jornalistas que calam, que não arriscam, que se retraem com medo das consequências.
O Jornal Nacional tem muitos defeitos, mas pelo menos tem uma independência e uma capacidade de incomodar que advém da mais preciosa das liberdades: a das empresas que têm sucesso, dão dinheiro, e não precisam dos favores do Estado.
Em Portugal, infelizmente, isso é um bem raro. Convém proteger os casos que existem.
João Miguel Tavares
in DN

lunes, 25 de mayo de 2009

O desordenado...

António Marinho Pinto está para o PS de Sócrates como o estão Vitalino Canas, Augusto Santos Silva ou Pedro Silva Pereira.
É um indefectível.
Tal como Sócrates, Marinho Pinto vê em tudo o que o prejudica uma urdidura de travestis do trabalho informativo. Tal como Sócrates, o Bastonário dos Advogados vê insultos nos factos com que é confrontado. E reage em disparatado ultraje e descontrolo, indigno de quem tem funções públicas.
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Marinho Pinto na TVI foi tão sectário como Vitalino Canas ou Santos Silva e conseguiu o prodígio de ser mais grosseiro numa entrevista do que Sócrates foi na RTP e Pedro Silva Pereira na SIC. É obra. Marinho Pinto não tem atenuantes.
Não trabalhou no Ministério do Ambiente de Sócrates e, que se saiba, não faz parte do seu núcleo duro. É pois de supor que não esteja vinculado ao voto de obediência cega que tem levado os mais próximos de Sócrates à defesa do indefensável, à justificação do injustificável e a encontrar razão no irracional. Não tendo atenuantes, Marinho Pinto tem agravantes.
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O Estado de direito delegou na Ordem dos Advogados importantes competências reguladoras de um exercício fundamental para a sociedade. O Bastonário tem que as exercer garantindo uma série de valores que lhe foram confiados pelos seus pares. O comportamento público do Bastonário sugere que ele está a cumprir uma bizarra agenda pessoal com um registo de regularidade na defesa apaixonada de José Sócrates e do PS.
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O que provavelmente provocou em Marinho Pinto o seu lamentável paroxismo esbracejante em directo foi a dura comparação entre as suas denúncias sobre crimes de advogados e os denunciantes do Freeport. Se a denúncia de irregularidades na administração de bens públicos é um dever, a atoarda não concretizada é indigna. O que o Bastonário da Ordem dos Advogados disse sobre o envolvimento dos seus pares nos crimes dos seus constituintes é o equivalente aos desabafos ébrios tipo: "são todos uns ladrões" ou "carrada de gatunos". Elaborações interessantes e de bom-tom, se proferidas meio deitado num balcão de mármore entre torresmos e copos de três.
Presumo que a Ordem dos Advogados não seja isso.
Nem sirva de câmara de eco às teorias esotéricas do Bastonário de que a Casa Pia foi uma Cabala para decapitar o PS ou que o Freeport é uma urdidura politico-judicial-jornalistica.
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Se num caso, um asilo do Estado com crianças abusadas fala por si, no outro, um mega centro comercial paredes-meias com a Rede Natura, tem uma sonoridade tão estridente como o grito de flamingos desalojados.
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A imagem que deu na TVI foi de um homem vítima de si próprio, dos seus excessos, do seu voluntarismo, das suas inseguranças e das suas incompetências. Marinho Pinto tentou mostrar que era o carrasco do mensageiro que tão más notícias tem trazido a José Sócrates. Fê-lo vociferando uma caterva de insultos como se tivesse a procuração bastante passada pelo Primeiro Ministro para desencorajar e punir este jornalismo de pesquisa e denúncia que tantas e embaraçosas vezes tem andado à frente do inquérito judicial.
E a verdade é que sem o jornalismo da TVI não havia "caso Freeport" e acabar com Manuela Moura Guedes não o vai fazer desaparecer.
Mário Crespo
in JN

domingo, 26 de abril de 2009

«Sócrates fez de Moura Guedes o grande problema do Governo»

José Sócrates «conseguiu transformar Manuela Moura Guedes no grande problema do Governo. Com o país no estado em que está»
Quem o diz é Vasco Pulido Valente, na habitual crónica no «Público», esta semana dedicada a «uma guerra» que «desde o princípio» o primeiro-ministro lançou aos jornalistas.
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«Para ele (Sócrates) a informação sobre o Governo tinha de ser pouca e calculada. Quanto menos fosse e quanto mais calculada, menos daria alimentação e oportunidade a críticas», escreve.
Sucede que «com o tempo as críticas vieram e Sócrates começou a exercer represálias sobre os críticos pelo velho e desastroso método do boicote: Se uma televisão ou um jornal por qualquer motivo o ofendiam ou, supunha ele, o prejudicavam, Sócrates fazia o possível (e o impossível) por não se aperceber da sua maléfica existência : recusava entrevistas, cortava as relações com os directores, não os convidava para viagens de natureza oficial e por aí fora».
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Para o cronista, «se a relação entre o Governo e os jornalistas se tornou numa relação «pessoal» e «obsessiva», a culpa não é dos jornalistas. É de quem primeiro se mostrou «pessoal» e «obsessivo».
Perante a inevitabilidade do escrutínio da vida do primeiro-ministro, restava-lhe, diz Pulido Valente, «negar, sem paixão, o que valesse a pena negar e deixar o resto aos tribunais».
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«Sócrates resolveu partir em campanha contra o mundo», diz, desde logo, ao apresentar-se como «vítima de uma conspiração obscura e quase universal» e ao processar vários jornalistas.
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O efeito conseguido foi, remata Pulido Valente, o previsível: «ninguém acreditou em conspiração alguma e os jornalistas acabaram por o processar a ele».
in Portugal Diário

miércoles, 22 de abril de 2009

Moura Guedes processa primeiro-ministro...

A directora adjunta da TVI decidiu processar o primeiro-ministro depois de Sócrates ter dito na RTP que o Jornal Nacional de sexta-feira é um "telejornal travestido" e uma "caça ao homem".
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José Sócrates aproveitou a entrevista para tornar claro o seu desprezo pelos telejornais de sexta-feira na TVI.
"Aquilo não é um telejornal, é uma caça ao homem", é "um telejornal travestido", feito de "ódio e de perseguição", disse, queixando-se ainda da ausência de críticas entre os jornalistas ao tipo de jornalismo praticado por Manuela Moura Guedes.
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"Vou processá-lo", foi assim que reagiu a directora adjunta de informação e pivô da TVI, Manuela Moura Guedes, contactada pelo DN, depois de ter ouvido a entrevista que o primeiro-ministro, José Sócrates, deu ontem à noite na RTP1, aos jornalistas Judite de Sousa e José Alberto Carvalho.
in DN
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Boa...
Ora agora processas tu...ora agora, processo eu...
Amor com amor se paga...